Questão #14808512007

Português — interpretação de textos

Instruções: As questões de números 1 a 15 referem-se ao textoseguinte.A eterna juventudeConforme a lenda, haveria em algum lugar a Fonte daJuventude, cujas águas garantiriam pleno rejuvenescimento aquem delas bebesse. A tal fonte nunca foi encontrada, mas oshomens estão dando um jeito de promover a expansão dosanos de juventude para limites jamais vistos. A adolescênciacomeça mais cedo - veja-se o comportamento de mocinhos emocinhas de dez ou onze anos - e promete não terminarnunca. Num comercial de TV, uma vovó fala com desenvolturaa gíria de um surfista. As academias e as clínicas de cirurgiaplástica nunca fizeram tanto sucesso. Muitos velhos fazemquestão de se proclamar jovens, e uma tintura de cabelo éindicada aos homens encanecidos como um meio de fazervoltar a cor natural.Esse obsessivo culto da juventude não se explica poruma razão única, mas tem nas leis do mercado um sólidoesteio. Tornou-se um produtorentável, que se multiplicaincalculavelmente e vai da moda à indústria química, doshábitos de consumo à cultura de entretenimento, dos salões debeleza à lipoaspiração, das editoras às farmácias. Resulta daíuma espécie de código comportamental, uma ética subliminar,um jeito novo de viver. O mercado, sempre oportunista, torna-seextraordinariamente amplo, quando os consumidores das maisdiferentes idades são abrangidos pelo denominador comum doser jovem. A juventude não é mais uma fase da vida: é umtempo que se imagina poder prolongar indefinidamente.São várias as conseqüências dessa idolatria: adecantada experiência dos mais velhos vai para o baú deinutilidades, os que se recusam a aderir ao padrão triunfante damocidade são estigmatizados e excluídos, a velhice se tornasinônimo de improdutividade e objeto de caricatura. Prefere-sea máscara grotesca do botox às rugas que os anos trouxeram, omotociclista sessentão se faz passar por jovem, metidonocapacete espetacular e na roupa de couro com tachas de metal.É natural que se tenha medo de envelhecer, de adoecer,de definhar, de morrer. Mas não é natural que reajamos à lei danatureza com tamanha carga de artifícios. Diziam os antigosgregos que uma forma sábia de vida está na permanente preparaçãopara a morte, pois só assim se valoriza de fato o presenteque se vive. Pode-se perguntar se, vivendo nesta ilusão daeterna juventude, os homens não estão se esquecendo deexperimentar a plenitude própria de cada momento de suaexistência, a dinâmica natural de sua vida interior.(Bráulio Canuto)

Considerando-se o contexto, expressões como máscara grotesca ou metido no capacete espetacular acentuam