Questão #14983242006

Português — interpretação de textos

Na primeira metade do século XIX, as ferrovias surgiamcomo o meio quase mágico que permitiria transpor enormesdistâncias com rapidez e grande capacidade de carga, atravessandoqualquer tipo de terreno. No Brasil, onde a era ferroviáriase iniciou em 1854, algumas vozes apontaram odescompasso que tenderia a se verificar entre as modestasdimensões da economia nacional e os grandes investimentosrequeridos para as construções ferroviárias. Mas pontos devista como esse foram vencidos pela fascinação exercida pelotrem de ferro e pela fé em seu poder de transformar a realidade.De um ponto de vista econômico, não seria propriamenteincorreto dizer que a experiência ferroviária no Brasil nãopassou de um relativo fracasso - que se traduziria, hoje, nopredomínio das rodovias, ao contrário do ocorrido em outrospaíses de grandes dimensões. De acordo com supostasexplicações, o triunfo das rodovias no Brasil teria sido obtidograças a um complô queenvolveria governos e grandesempresas petrolíferas e automobilísticas. Mas a verdade é que,além de outras deficiências estruturais, o setor ferroviário nacionalnunca chegou a formar uma autêntica rede cobrindo todoo território. Como a economia dependia da agroexportação, oproblema consistia simplesmente em ligar as regiões produtorasaos portos marítimos.A partir dos anos 30, quando se colocou o desafio daefetiva integração econômica do país como parte do processode expansão do mercado interno, os transportes rodoviários mais ágeis, necessitando de uma infra-estrutura muito menorque a das vias férreas - demonstraram uma flexibilidade que otrem não tinha como acompanhar. Isso não significa que asferrovias não tenham desempenhado um importante papeleconômico no país. Elas foram fundamentais no período dominadopela agroexportação e continuaram a ser importantestambém no contexto da industrialização acelerada.Mas as estradas de ferro nãopodem ser analisadasapenas mediante critérios estritamente econômicos. No Brasil,as ferrovias criaram novas cidades, como Porto Velho, e revitalizaramantigas. Representaram uma experiência indelével, freqüentementedramática, para os trabalhadores mobilizados nasconstruções. Objeto de fascínio, elas impuseram um novo ritmode vida, marcado pelos horários dos trens, e reorganizaramespaços urbanos, nos quais as estações se destacavam comocatedrais da ciência e da técnica.(Adaptado de Paulo Roberto Cimó Queiroz, Folha [Sinapse],p. 20-22, 22 de fevereiro de 2005)

O último parágrafo do texto salienta