Português — interpretação de textos
Aquele estranho animalOs do Alegrete dizem que o causo se deu em Itaqui,os de Itaqui dizem que foi no Alegrete, outros juram quesó poderia ter acontecido em Uruguaiana. Eu não afirmonada: sou neutro.Mas, pelo que me contaram, o primeiro automóvelque apareceu entre aquela brava indiada, eles o matarama pau, pensando que fosse um bicho. A história foi assim(...).Ia um piazinho estrada fora no seu petiço - tropt,tropt, tropt (este é o barulho do trote) - quando de repenteouviu - fufufupubum ! fufufupubum chiiiipum!E eis que aí a coisa, até então invisível, apontoupor detrás de um capão, bufando que nem touro brigão,saltando que nem pipoca, se traqueando que nem velhacoroca, chiando que nem chaleira derramada e largandofumo pelas ventas como a mula-sem-cabeça.Minha Nossa Senhora.O piazinho deu meia-volta e largou numa disparadalouca rumo da cidade (...).Chegado que foi, o piazinho contou a históriacomopôde, mal e mal e depressa, que o tempo era pouco e nãodava para maiores explicações, pois já se ouvia o barulhodo bicho que se aproximava.Pois bem, minha gente: quando este apareceu naentrada da cidade, caiu aquele montão de povo em cimadele, os homens uns com porretes, outros com garruchasque nem tinham tido tempo para carregar de pólvora,outros com boleadeiras, mas todos de a pé, porquetambém nem houvera tempo para montar, e as mulheresumas empunhando as suas vassouras, outras as suaspás de mexer marmelada, e os guris, de longe, sedivertindo com seus bodoques, cujos tiros iam acertarem cheio nas costas dos combatentes. E tudo abaixo degritos e pragas que nem lhes posso repetir aqui.Até que enfim houve uma pausa para respiração.O povo se afastou, resfolegante, e abriu-se umaclareira, no meio da qual se viu o auto emborcado,amassado, quebrado, escangalhado, e não digo que morto,porque as rodas ainda giravam no ar, nos últimostransesde uma teimosa agonia. E quando as rodas pararam, aspobres, eis que o motorista, milagrosamente salvo, saiupenosamente engatinhando por debaixo dos escombrosdo seu ex-automóvel.- A la pucha! - exclamou então um guasca, entreespantado e penalizado - o animal deu cria!QUINTANA, Mário. Poesia Completa. Rio de Janeiro,Editora Nova Aguilar, 2005.
No quarto parágrafo, na elaboração dos argumentos usados pelo narrador para descrever a cena, predomina a(o):
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