Questão #14912322007

Português — Dos crimes contra a administração pública.

Atenção: As questões de números 1 a 15 referem-se ao textoseguinte.Os sonhos dos adolescentesSe tivesse que comparar os jovens de hoje com os dedez ou vinte anos atrás, resumiria assim: eles sonham pequeno.É curioso, pois, pelo exemplo de pais, parentes e vizinhos,nossos jovens sabem que sua origem não fecha seu destino:sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar ondenasceram, sua profissão não tem que ser a continuação da deseus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária deficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inéditade vidas possíveis.Apesar disso, em regra, os adolescentes e os préadolescentesde hoje têm devaneios sobre seu futuro muitoparecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia-a-diaque, para nós, adultos, não é sonho algum, mas o resultado(mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações.Eles são razoáveis: seu sonho é um ajuste entre suasaspiraçõesheróico-ecológicas e as necessidades concretas(segurança do emprego, plano de saúde e aposentadoria).Alguém dirá: melhor lidar com adolescentes tranqüilos doque com rebeldes sem causa, não é? Pode ser, mas, seja qualfor a qualidade dos professores, a escola desperta interessequando carrega consigo uma promessa de futuro: estudem parater uma vida mais próxima de seus sonhos. É bom que a escolanão responda apenas à dura realidade do mercado detrabalho, mas também (talvez, sobretudo) aos devaneios deseus estudantes; sem isso, qual seria sua promessa? Estudepara se conformar? Conseqüência: a escola é sempredesinteressante para quem pára de sonhar.É possível que, por sua própria presença maciça emnossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial esejam contempladas não como um repertório arrebatador devidas possíveis, mas como um caleidoscópio para alegrar osolhos, um simples entretenimento. Os heróis percorrem omundo matandodragões, defendendo causas e encontrandoamores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem,enquanto, comportadamente, aspiramos a um churrasco nodomingo e a uma cerveja com os amigos.É também possível (sem contradizer a hipótese anterior)que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seunariz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seufuturo depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Podeser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossasfalas, as aspirações das quais desistimos, eles se deparemapenas com versões melhoradas da mesma vida acomodadaque, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem osadolescentes que merece.(Adaptado de Contardo Calligaris. Folha de S. Paulo, 11/01/07)

Devaneios, quem não tem devaneios? Têm devaneios as crianças e os jovens, dão aos devaneios menos crédito os adultos, mas é impossível abolir os devaneios completamente. Evitam-se as indesejáveis repetições da frase acima substituindo- se os elementos sublinhados, na ordem dada, por: