Questão #14165332009

Português — interpretação de textos

Escuta a hora formidável do almoçona cidade. Os escritórios, num passe, esvaziam-se.As bocas sugam um rio de carne, legumes e tortasvitaminosas.Salta depressa do mar a bandeja de peixes argênteos!Os subterrâneos da fome choram caldo de sopa,olhos líquidos de cão através do vidro devoram teuosso.Come, braço mecânico, alimenta-te, mão de papel, étempo de comida,mais tarde será o de amor.Lentamente os escritórios se recuperam, e os negócios,forma indecisa, evoluem.O esplêndido negócio insinua-se no tráfego.Multidões que o cruzam não veem. É sem cor e semcheiro.Está dissimulado no bonde, por trás da brisa do sul,vem na areia, no telefone, na batalha de aviões,toma conta de tua alma e dela extrai uma porcentagem.Escuta a hora espandongada da volta.Homem depois de homem, mulher, criança, homem,roupa, cigarro, chapéu, roupa, roupa, roupa,homem, homem, mulher, homem, mulher, roupa, homemimaginam esperarqualquer coisa,e se quedam mudos, escoam-se passo a passo, sentam-se,últimos servos do negócio, imaginam voltar para casa,já noite, entre muros apagados, numa suposta cidade,imaginam.(Carlos Drummond de Andrade. Nosso tempo, in Poesiacompleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 128)

O esplêndido negócio insinua-se no tráfego. (v. 10, 1º estrofe) O verso que reitera a ideia contida no que está transcrito acima é: