Português — porcentagem
A multiplicação de desastres naturais vitimando populaçõesinteiras é inquietante: tsunamis, terremotos, secas e inundaçõesdevastadoras, destruição da camada de ozônio, degelodas calotas polares, aumento dos oceanos, aquecimento do planeta,envenenamento de mananciais, desmatamentos, ocupaçãoirresponsável do solo, impermeabilização abusiva nas grandescidades. Alguns desses fenômenos não estão diretamentevinculados à conduta humana. Outros, porém, são uma consequênciadireta de nossas maneiras de sentir, pensar e agir.É aqui que avulta o exemplo de Hans Jonas.Em 1979 ele publicou O Princípio Responsabilidade. Aobra mostra que as éticas tradicionais - antropocêntricas ebaseadas numa concepção instrumental da tecnologia - nãoestavam à altura das consequências danosas do progressotecnológico sobre as condições de vida humana na Terra e ofuturo das novas gerações. Jonas propõe uma ética para acivilização tecnológica, capaz de reconhecer para anaturezaum direito próprio. O filósofo detectou a propensão de nossacivilização para degenerar de maneira desmesurada, em virtudedas forças econômicas e de outra índole que aceleram o cursodo desenvolvimento tecnológico, subtraindo o processo denosso controle.Tudo se passa como se a aquisição de novas competênciastecnológicas gerasse uma compulsão a seu aproveitamentoindustrial, de modo que a sobrevivência de nossas sociedadesdepende da atualização do potencial tecnológico, sendoas tecnociências suas principais forças produtivas. Funcionandode modo autônomo, essa dinâmica tende a se reproduzircoercitivamente e a se impor como único meio de resolução dosproblemas sociais surgidos na esteira do desenvolvimento. Oparadoxo consiste em que o progresso converte o sonho defelicidade em pesadelo apocalíptico - profecia macabra que temhoje a figura da catástrofe ecológica. [...]Jonas percebeu o simples: para que um basta derradeironão sejaimposto pela catástrofe, é preciso uma novaconscientização, que não advém do saber oficial nem daconduta privada, mas de um novo sentimento coletivo deresponsabilidade e temor. Tornar-se inventivo no medo, não sóreagir com a esperteza de poupar a galinha dos ovos de ouro,mas ensaiar novos estilos de vida, comprometidos com o futurodas próximas gerações.(Adaptado de Oswaldo Giacoia Junior. O Estado de S. Paulo,A2 Espaço Aberto, 3 de abril de 2010)
A ideia central do texto está explicitada em:
Uma questão respondida. E as próximas?
Crie sua conta para acompanhar acertos, erros e receber recomendações no Meu Próximo Passo.
Criar conta grátis