Questão #12093762014

Literatura

Atenção: Para responder às questões de números 16 a 20,

considere o poema abaixo.

As questões 16 e 17 se baseiam também nos

textos III e IV.

Banguê

Cadê você meu país do Nordeste

que eu não vi nessa Usina Leão de minha terra?

Ah, Usina, você engoliu os banguezinhos do país das

Alagoas!

Você é grande, Usina Leão!

Você é forte, Usina Leão!

..................

Onde é que está a alegria das bagaceiras?

O cheiro bom do mel borbulhando nas tachas?

A tropa dos pães de açúcar atraindo arapuás?

Onde é que mugem os meus bois trabalhadores?

Onde é que cantam meus caboclos lambanceiros?

Onde é que dormem de papos para o ar os bebedores

de resto de alambique?

E os senhores de espora?

E as sinhás-donas de cocó?

........................

O meu banguezinho era tão diferente,

vestidinho de branco, o chapeuzinho do telhado sobre os

olhos,

fumando o cigarro do boeiro pra namorar a mata virgem.

Nos domingos tinha missa na capela

e depois da missa uma feira danada:

a zabumba tirando esmola para as almas;

e os cabras de faca de ponta na cintura,

a camisa por fora das calças:

Mão de milho a pataca!

Carretel marca Alexandre a doistões!

Cadê você meu país de banguês

com as cantigas da boca da moenda:

Tomba cana João que eu já tombei!

E o eixo de maçaranduba chorando

talvez os estragos que a cachaça ia fazer!

.......................

Cadê a sua casa-grande, banguê,

...............

com as suas Donanas alcoviteiras?

Com seus Totôs e seus Pipius corredores de cavalhadas?

E as suas molecas catadoras de piolho,

e as suas negras Calus, que sabiam fazer munguzás,

manuês,

cuscuz,

e suas sinhás dengosas amantes dos banhos de rio

e de redes de franja larga!

Cadê os nomes de você, banguê?

...........................................

Ah, Usina Leão, você engoliu

os banguezinhos do país das Alagoas!

...............................

Glossário - banguê: engenho de açúcar primitivo, movido a

força animal.

(LIMA, Jorge de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: José

Aguilar, 1974, v. I, p. 161-163)

Retomando as observações constantes dos Textos III e

IV, a afirmativa correta sobre Jorge de Lima, a exemplo

do poema transcrito, é: