Questão #12058792014

Concursos públicos

Leia o texto para responder às questões de números 09 a 16.

Um pé de milho

Aconteceu que no meu quintal, em um monte de terra

trazido pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser

um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho.

Transplantei–o para o exíguo canteiro na frente da casa.

Secaram as pequenas folhas, pensei que fosse morrer.

Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo,

veio um amigo e declarou desdenhosamente que na verdade

aquilo era capim. Quando estava com dois palmos

veio outro amigo e afirmou que era cana.

Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas

eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança as

suas folhas além do muro – e é um esplêndido pé de milho.

Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha

visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de

milho sozinho, em um canteiro, espremido, junto do portão,

numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é

um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram

ao chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis.

Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos

encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou.

Há muitas flores belas no mundo, e a flor do meu pé de

milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical,

beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho

vulgar com uma força e uma alegria que fazem bem.

É alguma coisa de vivo que se afirma com ímpeto e certeza.

Meu pé de milho é um belo gesto da terra. E eu não sou mais

um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina

de escrever: sou um rico lavrador da Rua Júlio de Castilhos.

(Rubem Braga. 200 crônicas escolhidas, 2001. Adaptado)

Assinale a alternativa em que a reescrita do texto altera

o sentido original.