Questão #11787702014

Português — são paulo

Leia o texto para responder às questões de números 51 a 58.

Geração do diploma lota faculdades,

mas decepciona empresários

Na última década, o número de matrículas no ensino superior

no Brasil dobrou. Só entre 2011 e 2012, por exemplo, 867

mil brasileiros receberam um diploma, segundo a mais recente

Pesquisa Nacional de Domicílio (Pnad) do IBGE.

Mas, mesmo com essa expansão, na indústria de transformação,

por exemplo, tivemos um aumento de produtividade de

apenas 1,1% entre 2001 e 2012, enquanto o salário médio dos

trabalhadores subiu 169% (em dólares), diz Rafael Lucchesi,

diretor de educação e tecnologia na Confederação Nacional da

Indústria (CNI).

O desapontamento do mercado com o que já está sendo chamado

de geração do diploma é confirmado por especialistas,

organizações empresariais e consultores de recursos humanos.

Os empresários não querem canudo. Querem capacidade

de dar respostas e de apreender coisas novas. E, quando testam

isso nos candidatos, rejeitam a maioria, diz o sociólogo e especialista

em relações do trabalho da Faculdade de Economia e

Administração da USP, José Pastore.

Entre empresários, já são lugar-comum relatos de administradores

recém-formados que não sabem escrever um relatório

ou fazer um orçamento, arquitetos que não conseguem resolver

equações simples ou estagiários que ignoram as regras básicas

da linguagem. Isso significa que uma parte dos universitários no

país até sabe ler textos simples, mas é incapaz de interpretar e

associar informações.

Um exemplo de descompasso entre as necessidades do mercado

e os predicados de quem consegue um diploma no Brasil

é um estudo feito pelo grupo de Recursos Humanos Manpower.

De 38 países pesquisados, o Brasil é o segundo mercado em que

as empresas têm mais dificuldade para encontrar talentos, atrás

apenas do Japão.

É claro que, em parte, isso se deve ao aquecimento do mercado

de trabalho brasileiro. Mas, segundo um estudo divulgado

pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), os

brasileiros com mais de 11 anos de estudo formariam 50% do

contingente de desempregados.

Mesmo com a expansão do ensino e maior acesso ao curso

superior, os trabalhadores brasileiros não estão conseguindo oferecer

o conhecimento específico que as boas posições requerem,

explica Márcia Almstrom, do grupo Manpower.

(Ruth Costas. http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/10/1...

mercado_trabalho_diplomas_ru.shtml. 09.10.2013. Adaptado)

No contexto, o termo destacado na frase – Um exemplo

de descompasso entre as necessidades do mercado e os

predicados de quem consegue um diploma no Brasil… –

tem sentido equivalente ao de