Questão #11755912014

Português — significação contextual de palavras e expressões

Atenção: Para responder às questões de números 10 a 15,

considere os textos III e IV.

Texto III

Este caderno de Jorge de Lima bem que se poderia

chamar as impressões dum homem que esteve no cárcere. E

são estes poemas mesmo um canto comovido à terra de que

ele esteve segregado. E há neles qualquer coisa das surpresas

e dos espantos que sofre um homem que tudo via em névoa, ao

sair de uma operação de catarata. As cores como que vivem

com outra intensidade.

Tudo isso nos versos de Jorge de Lima está contado

com muita força e comoção. Da boa e legítima comoção que é a

que vem da simplicidade, que é a que sai das fontes mais

preciosas do coração. [...]

É vinda de dentro da terra, da vida sentimental do

Nordeste, a maior parte dos poemas desse caderno. Quem os

escreveu fez como um desterrado que a saudade conduziu ao

retorno. E que voltasse com todos os sentidos atacados de

fome. E se encontra o Nordeste por toda a parte em seus

poemas. [...] É ainda no caráter puramente regionalista de sua

poesia que se distingue o Sr. Jorge de Lima. Porque o seu

regionalismo não é um limite à sua emoção e não tem por outra

parte o caráter de partido político daquele que rapazes de S.

Paulo oferecem ao país com as insistências de anúncios de

remédio. O regionalismo do jovem poeta nordestino é a sua

emoção mais que a sua ideologia. O Nordeste não vem em sua

poesia como um tema ou uma imposição doutrinária, vem como

a expressão lírica de um nordestino evocar a sua terra.

(Nota preliminar a Poemas escolhidos. REGO, José Lins do. in:

LIMA, Jorge de. Poesias completas. Rio de Janeiro: José

Aguilar Editora, 1974, vol. I, p. 140-142)

Texto IV

Já uma vez me afoitei a sugerir esta ideia: a necessidade

de reconhecer-se um movimento distintamente nordestino de

renovação das letras, das artes, da cultura brasileira - movimento

dos nossos dias que, tendo se confundido com a

expansão do muito mais opulento modernismo paulista-carioca,

teve, entretanto, condições próprias - ecológicas, poderia

dizer-se com algum pedantismo - de formação, aparecimento e

vida.

Desse movimento do Nordeste pode-se acrescentar

que foi uma espécie de parente pobre, capaz de dar ao rico valores

já quase despercebidos de outras partes do Brasil e

necessitados apenas dos novos estímulos vindos do Sul e do

estrangeiro para se integrarem no conjunto de riqueza circulante

e viva constituída por elementos genuinamente brasileiros, essenciais

ao desenvolvimento da nossa cultura em expressão

honesta do nosso ethos, da nossa história e da nossa paisagem

e em instrumento de nossas aspirações e tendências sociais

como povo tanto quanto possível autônomo e criador. [...]

Experiência brasileira não falta a Jorge de Lima: ele é

bem do Nordeste. Não lhe falta o contato com a realidade afronordestina.

E há poemas seus em que os nossos olhos, os

nossos ouvidos, o nosso olfato, o nosso paladar se juntam para

saborear gostos e cheiros de carne de mulata, de massapê, de

resina, de muqueca, de maresia, de sargaço; para sentir cores e

formas regionais que dão presença e vida, e não apenas encanto

literário, às sugestões das palavras: que parecem lhes dar

outras condições de vida além da tecnicamente literária. [...]

Jorge de Lima, um dos maiores poetas brasileiros de

todos os tempos, [...] põe o estrangeiro que se aproxima da

poesia brasileira em contato com uma das nossas maiores riquezas:

a interpretação de culturas, entre nós tão livre, ao lado

do cruzamento de raças. Dois processos através dos quais o

Brasil vai-se adoçando numa das comunidades mais genuinamente

democráticas e cristãs do nosso tempo.

(Nota preliminar a Poemas negros. FREYRE, Gilberto in: LIMA,

Jorge de. Poesias completas. Rio de Janeiro: José Aguilar

Editora, 1974, v. I, p. 157 e 158)

E são estes poemas mesmo um canto comovido à terra de que ele esteve segregado. (Texto III, 1° parágrafo)

A expressão grifada acima deverá preencher corretamente a lacuna existente em: