Questão #15118622004

Português

O livro, esse misterioso objeto de papel, tinta, cola e linha, vem atraindo muita atenção. Talvez não tanto a atenção de leitores, maiores ou menores de idade, que fazem as delícias de autores, editores e livreiros: enquanto estes profissionais lamentam a carência de leitores e leituras, o livro começa a atrair a atenção de uma multidão de estudiosos.

O mais novo membro da tribo aqui traduzido é Jason Epstein. Ele promete discutir – e de fato discute, esbanjando competência e bom humor – passado, presente e futuro do mercado editorial em O negócio do livro. Do alto de sua escrivaninha nova-iorquina, Epstein descreve como esse mercado se foi construindo e transformando ao longo dos tempos. Cinqüentões de hoje talvez ainda se lembrem daquelas livrarias pequenas e médias, com vendedores atentos e cultos, que recomendavam títulos e discutiam livros com seus não menos cultos e desapressados fregueses. Desaparecidas estas livrarias, a freguesia teve de transferir-se para as megastores contemporâneas, com funcionários uniformizados que vendem papéis pintados com tinta com os quais não têm lá muita intimidade.

No cenário da produção do livro, a paisagem também muda radicalmente. Epstein fala com uma certa nostalgia do tempo em que um editor de literatura era um profissional de quem se esperava que descobrisse escritores de público regular e constante ao longo dos anos. A essa geração de profissionais, contrapõe-se a necessidade contemporânea de os editores descobrirem (ou produzirem?) escritores de best-sellers, já que é muito cara a manutenção do estoque e mais caro ainda o aluguel de bons pontos comerciais. A pá de cal no velho regime é que já que o respeitável público aprendeu a trocar vertiginosamente de carro, por que deveria manter-se fiel a autores, obras ou gêneros?

(Marisa Lajolo, Folha de S. Paulo, Mais!, 07 jul. 2002, p. 19.)

Assinale a alternativa em que os sinais de pontuação foram empregados adequadamente.