Questão #14913822007

Português — interpretação de textos

Atenção: As questões de números 1 a 20 referem-se ao textoque segue.Da ação dos justosEm recente entrevista na TV, uma conhecida e combativajuíza brasileira citou esta frase de Disraeli*: É preciso queos homens de bem tenham a audácia dos canalhas. Para ajuíza, o sentido da frase é atualíssimo: diz respeito à freqüenteomissão das pessoas justas e honestas diante das manifestaçõesde violência e de corrupção que se multiplicam emnossos dias e que, felizmente, têm chegado ao conhecimentopúblico e vêm sendo investigadas e punidas. A frase propõeuma ética atuante, cujos valores se materializem em reaçãoefetiva, em gestos de repúdio e medidas de combate à barbáriemoral. Em outras palavras: que a desesperança e o silêncio nãotomem conta daqueles que pautam sua vida por princípios dedignidade.Como não concordar com a oportunidade da frase?Normalmente, a indignação se reduz a conversas privadas, acomentáriospessoais, não indo além de um mero discursoético. Se não transpõe o limite da queixa, a indignação éimpotente, e seu efeito é nenhum; mas se ela se converte emgesto público, objetivamente dirigido contra a arrogânciaacanalhada, alcança a dimensão da prática social e política, egera conseqüências.A frase lembra-nos que não costuma haver qualquerhesitação entre aqueles que se decidem pela desonestidade epelo egoísmo. Seus atos revelam iniciativa e astúcia, facilitadaspela total ausência de compromisso com o interesse público.Realmente, a falta de escrúpulo aplaina o caminho de quem nãoconfronta o justo e o injusto; por outro lado, muitas vezes faltamcoragem e iniciativa aos homens que conhecem e mantêm vivaa diferença entre um e outro. Pois que estes a deixem clara, enão abram mão de reagir contra quem a ignore.A inação dos justos é tudo o que os contraventores ecriminosos precisam para continuar operando. A cada vez quese propagamfrases como Os políticos são todos iguais,Brasileiro é assim mesmo ou Este país não tem jeito,promove-se a resignação diante dos descalabros. Quem vê abarbárie como uma fatalidade torna-se, ainda que não o queira,seu cúmplice silencioso.* Benjamin Disraeli, escritor e político britânico do século XIX.(Aristides Villamar)

Quem propaga frases como as citadas entre aspas no último parágrafo parece admitir que