Questão #14874362007

Português — avaliação de desempenho

Atenção: As questões de números 1 a 15 referem-se ao textoabaixo.Ensino que ensineJogar com as ambigüidades, cultivar o improviso, juntaro que se pretende irreconciliável e dividir o que se supõeunitário, usar falta de método como método, tratar enigmascomo soluções e o inesperado como caminho? são traços dacultura do povo brasileiro. Estratégias de sobrevivência? Porque não também manancial de grandes feitos, tanto na práticacomo no pensamento? A orientação de nosso ensino costumaser o oposto dessa fecundidade indisciplinada: dogmasconfundidos com idéias, informações sobrepostas acapacitações, insistência em métodos corretos e em respostascertas, ditadura da falta de imaginação. Nega-se voz aostalentos, difusos e frustrados, da nação. Essa contradiçãonunca foi tema do nosso debate nacional.Entre nós, educação é assunto para economistas eengenheiros, não para educadores, como se o alvofosseconstruir escolas, não construir pessoas. Preconizo revoluçãona orientação do ensino brasileiro. Nada tem a ver com falta derigor ou com modismo pedagógico. E exige professoradoformado, equipado e remunerado para cumprir essa tarefalibertadora.Em matemática, por exemplo, em vez de enfoque nassoluções únicas, atenção para as formulações alternativas, assoluções múltiplas ou inexistentes e a descoberta de problemas,tão importante quanto o encontro de soluções. Em leitura eescrita, análise de textos com a preocupação de aprofundar,não de suprimir possibilidades de interpretação; defesa, crítica erevisão de idéias; obrigação de escrever todos os dias,formulando e reformulando sem fim. Em ciência, o despertarpara a dialética entre explicações e experimentos e para osmistérios da relação entre os nexos de causa e efeito e suarepresentação matemática. Em história, e em todas asdisciplinas, as transformações analisadas de pontos devistacontrastantes.Isso é educação. O resto é perda de tempo. (...) Quemlutará para que a educação no Brasil se eduque?(Roberto Mangabeira Unger, Folha de S. Paulo, 09/01/2007)

Nosso sistema de ensino tem falhas estruturais; para revolucionar nosso sistema de ensino, seria preciso despir nosso sistema de ensino dos dogmas que norteiam nosso sistema de ensino. Evitam-se as viciosas repetições do trecho acima substituindo- se os segmentos sublinhados, respectivamente, por