Questão #14851142007

Português

Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto

seguinte.

A Bela Azul

Como a Terra é bela! Certos estavam os teólogos e

astrônomos antigos em colocá-la no centro do universo! Os

astrônomos modernos e os geômetras se riram da sua ingenuidade

e presunção... Ora, a Terra, essa poeira ínfima perdida

em meio a bilhões de estrelas e galáxias – o centro em torno do

qual todo o universo gira?

Mas eles, cientistas, não sabem que há duas formas de

determinar o centro. Pode-se determinar o centro com o cérebro

e pode-se determinar o centro com o coração. O cérebro mede

o espaço vazio com réguas e calculadoras para assim localizar

o seu centro geométrico. Mas, para o coração, o centro do

universo é o lugar do amor.

Para o pai e a mãe, qual é o centro de sua casa? Não

será o berço onde o filhinho dorme? E para o trabalhador na

roça, cansado e sedento,o centro do mundo não é uma fonte de

água fresca? Chove e faz frio. A família inteira se reúne em

torno da lareira, onde o fogo crepita. Ali se contam estórias... E

sabe o apaixonado que o centro do mundo é o rosto de sua

amada, ausente...

Recebi de um amigo, via Internet, uma série de

fotografias da Terra, tiradas de um satélite. Vinha tudo com o

nome de A Bela Azul. Que lindo nome para a nossa Terra!

Porque é com a cor azul que ela aparece. Lembrei-me de um

verso de Fernando Pessoa: ... e viu-se a Terra inteira, de repente,

surgir, redonda, do azul profundo. O filósofo Niezstche

também era um apaixonado pela Terra. Dizia que era uma deformação

do espírito ficar lendo um livro em casa, num dia luminoso,

quando a natureza está lá fora, fresca e radiante. É possível

imaginar que ele, que proclamou a morte de Deus, tenha

secretamente elegido a Terra como seu objeto de adoração.

Mas agora anunciam os cientistas que a Bela Azul está

agonizante...

(Rubem Alves, Folha de S. Paulo, 07/02/2007)

Atente para as seguintes afirmações: I.O emprego de pontos de exclamação e reticências ao longo do texto indica a ação constante da subjetividade de quem o escreveu. II.No terceiro parágrafo o autor pondera, de modo equilibrado e simétrico, a antinomia entre as razões do cérebro e as do coração. III.No quarto parágrafo, o autor refere-se a um seu amigo, a Fernando Pessoa e a Nieztsche para ilustrar perspectivas e conclusões bastante distintas. Em relação ao texto, está correto somente o que se afirma em