Questão #14717662008

Concursos públicos

Atenção: As questões de números 1 a 8 baseiam-se no texto

apresentado abaixo.

Nem o cientista mais ortodoxo pode negar que mexer

com equações é difícil e cansativo. Mas a ciência não deixa de

ser bonita ou agradável apenas por causa disso. A arte, apesar

de bela, também não é fácil: todo profissional sabe a dor e a

delícia de aprender bem um instrumento ou de dominar o pincel

com graça e precisão. É verdade que dificilmente alguém

espera encontrar numa equação ou num axioma as qualidades

próprias da arte, como a harmonia, a sensibilidade e a elegância.

A graça e a beleza das teorias, no entanto, sempre

tiveram admiradores – e hoje mais do que nunca, a julgar pela

quantidade de livros recentes cujo tema central é a sedução e o

encanto dos conceitos científicos. Exagero?

As leis da física são em grande parte determinadas por

princípios estéticos, afirma o astrônomo americano Mario Livio,

do Telescópio Espacial Hubble, também autor de um livro em

que analisa a noção de beleza dentro da ciência. Ele afirma

que, quando a estética surgiu na Antigüidade, os conceitos de

beleza e de verdade eram sinônimos. Para ele, o traço de união

entre arte e ciência reside exatamente nesse ponto. As duas

representam tentativas de compreender o mundo e de organizar

fatos de acordo com uma certa ordem. Em última instância,

buscam uma idéia fundamental que possa servir de base para

sua explicação da realidade.

Mas, se o critério estético é tão importante para o pensamento

científico, como ele se manifesta no dia-a-dia dos

pesquisadores? O diretor do Instituto de Arte de Chicago acha

que sabe a resposta. Ciência e arte se sobrepõem naturalmente.

Ambas são meios de investigação, envolvem idéias,

teorias e hipóteses que são testadas em locais onde a mente e

a mão andam juntas: o laboratório e o estúdio, afirma.

Acredita-se que as descobertas científicas sirvam de

inspiração para os artistas, e as obras de arte ajudem a alargar

o horizonte cultural dos cientistas. Na prática, essa mistura gera

infinitas possibilidades. A celebração que artistas buscam hoje

já ocorreu diversas vezes no passado, de maneira mais ou

menos espetacular. Na Renascença, a descoberta da

perspectiva pelos geômetras encantou os pintores, que logo

abandonaram as cenas sem profundidade do período clássico e

passaram a explorar sensações tridimensionais em seus

quadros. Os arquitetos também procuravam dar às igrejas um

desenho geometricamente perfeito; acreditavam, com isso, que

criavam um portal para o mundo metafísico das idéias

religiosas.

No século XX, essa tendência voltou a crescer. A grande

preocupação dos pintores impressionistas com a luz, por

exemplo, tem muito a ver com as conquistas da ótica. A

matemática também teria influenciado a pintura do russo

Wassily Kandinsky, segundo o qual tudo pode ser retratado por

uma fórmula matemática. Seu colega Paul Klee achou um jeito

de colocar em vários quadros alguma referência às progressões

geométricas. Bem-humorado, brincava com as idéias da matemática

dizendo que uma linha é um ponto que saiu para

passear.

(Adaptado de Flávio Dieguez. Superinteressante, junho de

2003, p. 50 a 54)

Exagero? (final do 2º parágrafo) A resposta correta à indagação acima encontra-se na opinião de que