Questão #14205322009

Português — interpretação de textos

Atenção: As questões de números 1 a 8 baseiam-se no texto apresentado abaixo. Como declaração de princípios que é, a Declaração Uni-versal dos Direitos Humanos não cria obrigações legais aos Estados, salvo se as respectivas Constituições estabelecem que os direitos fundamentais e as liberdades nelas reconhe-cidos serão interpretados de acordo com a Declaração. Todos sabemos, porém, que esse reconhecimento formal pode acabar por ser desvirtuado ou mesmo denegado na ação política, na gestão econômica e na realidade social. A Declaração Universal é geralmente considerada pelos poderes econômicos e pelos poderes políticos, mesmo quando presumem de democráticos, como um documento cuja importância não vai muito além do grau de boa consciência que lhes proporcione. Nesses cinquenta anos não parece que os governos tenham feito pelos direitos humanos tudo aquilo a que, moral-mente, quando não por força da lei, estavam obrigados. Asinjustiças multiplicam-se no mundo, as desigualdades agravam-se, a ignorância cresce, a miséria alastra. A mesma esquizofrê-nica humanidade que é capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte neste tempo do que ao nosso próprio semelhante. Alguém não anda a cumprir o seu dever. Não andam a cumpri-lo os governos, seja porque não sabem, seja porque não podem, seja porque não querem. Ou porque não lho permitem os que efetivamente governam, as empresas multinacionais e pluricontinentais cujo poder, absolutamente não democrático, reduziu a uma casca sem conteúdo o que ainda restava de ideal de democracia. Mas também não estão a cumprir o seu dever os cidadãos que somos. Foi-nos proposta uma Declaração Universal dos Direitos Humanos e com isso julgamos ter tudo, sem repararmos que nenhuns direitos poderão subsistirsem a simetria dos deveres que lhes correspondem, o primeiro dos quais será exigir que esses direitos sejam não só reconhecidos,mas também respeitados e satisfeitos. Não é de esperar que osgovernos façam nos próximos cinquenta anos o que não fize-ram nestes que comemoramos. Tomemos, então, nós, cidadãoscomuns, a palavra e a iniciativa. Com a mesma veemência e amesma força com que reivindicamos os nossos direitos, reivindi-quemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundopossa começar a tornar-se um pouco melhor. (Trecho do discurso de José Saramago no banquete deencerramento da entrega do Prêmio Nobel, em 10 de dezembrode 1998. Transcrição segundo as normas brasileiras de ortografia.)

A Declaração Universal é geralmente considerada pelos poderes econômicos e pelos poderes políticos, mesmo quando presumem de democráticos, como um documento cuja importância não vai muito além do grau de boa consciência que lhes proporcione. (1º parágrafo) O sentido da afirmativa acima encontra-se corretamente resumido, com a devida clareza, em: