Questão #13854232010

Português

Leia o texto abaixo, que sofreu pequenas adaptações e alterações, extraído da obra Estação Carandiru, de

Drauzio Varella, para responder às questões de 6 a 10.

São tantas as situações que se apresentam na cadeia que uma vida é pouco para conhecê-las.

Essa lição de humildade dada pelos cadeeiros mais experientes ajudou-me a relaxar e a desenvolver técnicas

defensivas para não ser feito de idiota o tempo todo.

A advertência clara do Pedrinho, de que eu não podia contar com meus auxiliares para

desmascarar os farsantes, tornou-me mais atento às expressões faciais. Enquanto o doente fala; há que olhá-lo

direto nos olhos, mudo, o olhar fixo por uns segundos a. mais após o término de cada frase. Nos momentos de

dúvida, deixar cair o silêncio, abaixar a cabeça sobre a ficha médica como se fosse escrever e dar um bote com

os olhos na direção dos enfermeiros e quem mais esteja por perto, para surpreender neles as expressões de

descrédito.

Com a experiência que a repetição traz, ganhei segurança como médico e espontaneidade no

trato com a malandragem. Devagar, aprendi que a cadeia infantiliza o homem e que tratar de presos requer

sabedoria pediátrica. Muitas vezes é suficiente deixá-los se queixar ou simplesmente concordar com a

intensidade do sofrimento que referem sentir, para aliviá-los. O ar de revolta que muitos traziam para a consulta

desaparecia depois que lhes palpava o corpo e auscultava pulmões e coração. No final, não era raro encontrar

ternura no olhar deles. A paciência de escutar e o contato do exame físico desarmavam o ladrão.

A comida servida na Casa de Detenção ê triste. Depois de alguns dias, não há cristão que consiga

digeri-la; a queixa é geral. Os que não têm ganha-pão na própria cadeia ou família para ajudar sofrem.

Riquíssima em amido e gordura, a dieta, entretanto, engorda. Obesidade aliada à falta de exercício físico é um

dos problemas de saúde na Detenção.

As galerias são lavadas todo final de tarde pelos faxinas, um grupo de homens que constitui a

espinha dorsal da cadeia. Tudo é limpo, ninguém ousa jogar lixo nas áreas internas. É raro ver um xadrez sujo,

e, quando acontece, seus ocupantes são chamados de maloqueiros, com desdém. Na Copa de 94, assisti

Brasil versus Estados Unidos num xadrez com 25 presos, no pavilhão Dois. Não havia um cisco de pó nos

móveis, o chão dava gosto de olhar. Em sistema de rodízio, cada ocupante era responsável pela faxina diária.

Levando em consideração as afirmações do texto e as orientações da gramática normativa tradicional, é correto afirmar que