Questão #12784402013

Literatura — princípios

As questões de números 01 a 05 focalizam uma passagem

do romance Água–Mãe, de José Lins do Rego (1901–1957).

Água–Mãe

Jogava com toda a alma, não podia compreender como

um jogador se encostava, não se entusiasmava com a bola

nos pés. Atirava–se, não temia a violência e com a sua agilidade

espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando

aquele back1

, num jogo de subúrbio, atirou–se contra ele,

recuou para derrubá–lo, e com tamanha sorte que o bruto

se estendeu no chão, como um fardo. E foi assim crescendo

a sua fama. Aos poucos se foi adaptando ao novo Joca que

se formara nos campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua

vida era cada vez mais agitada. Onde quer que estivesse, era

reconhecido e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar

as despesas que ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia

descer, o motorista lhe dizia sempre:

— Joca, você aqui não paga.

Quando entrava no cinema era reconhecido. Vinham

logo meninos para perto dele. Sabia que agradava muito. No

clube tinha amigos. Havia porém o antigo center–forward2

que se sentiu roubado com a sua chegada. Não tinha razão.

Ele fora chamado. Não se oferecera. E o homem se enfureceu

com Joca. Era um jogador de fama, que fora grande

nos campos da Europa e por isso pouco ligava aos que não

tinham o seu cartaz. A entrada de Joca, o sucesso rápido, a

maravilha de agilidade e de oportunismo, que caracterizava

o jogo do novato, irritava–o até ao ódio. No dia em que tivera

que ceder a posição, a um menino do Cabo Frio, fora

para ele como se tivesse perdido as duas pernas. Viram–no

chorando, e por isso concentrou em Joca toda a sua raiva.

No entanto, Joca sempre o procurava. Tinha sido a sua

admiração, o seu herói.

1Beque, ou seja, o zagueiro de hoje.

2Centroavante.

(Água–Mãe, 1974.)

Com a expressão fugia das entradas, no primeiro parágrafo,

o narrador sugere que o jogador Joca manifestava em campo: