Questão #12567502013

Português — interpretação de textos

As questões de números 06 a 10 tomam por base uma passagem

do artigo Os operários da música livre, de Ronaldo

Evangelista.

Desde o final do século 20, toda a engrenagem industrial

do mercado musical passa por intensas transformações,

como o surgimento e disseminação de novas tecnologias, em

grande parte gratuitas, como os arquivos MP3s, as redes

de compartilhamento destes arquivos, mecanismos torrents,

sites de armazenamento de conteúdo, ferramentas de publicação

on–line — tudo à disposição de quem quisesse dividir

com os outros suas canções e discos favoritos. A era pósindustrial

atingiu toda a indústria do entretenimento, mas

o braço da música foi quem mais sofreu, especialmente as

grandes gravadoras multinacionais, as chamadas majors,

que sofreram um declínio em todas as etapas de seu

antigo negócio, ao mesmo tempo em que rapidamente se

aperfeiçoavam ferramentas baratas e caseiras de produção

que diminuíam a distância entre amadores e profissionais.

A era digital é também chamada de pós–industrial porque

confronta o modelo de produção que dominava até

o final do século 20. Esse modelo industrial é baseado na

repetição, em formatar e embalar. Por trás disso, a ideia é

obter a máxima produção — o que, para produtos em geral,

funciona muito bem. Quando esses parâmetros são aplicados

à arte, a venda do produto (por exemplo, o disco) depende

do conteúdo (a canção). A canção que vai resultar nessa

produção máxima é buscada por meio de um equilíbrio

entre criatividade e uma fórmula de sucesso que desperte o

interesse do público. Como estudos ainda não conseguiram

decifrar como direcionar a criatividade de uma maneira que

certamente despertará esse interesse (e maximizará a produ–

ção), a opção normalmente costuma ser pela solução mais

simples.

Cada um tem descoberto suas fórmulas e possibilidades,

pois tudo tende a ser cada vez menos homogêneo, opina

o baiano Lucas Santtana, que realizou seus discos recentes

às próprias custas.Claro que ainda existe uma distância

em relação aos artistas chamados mainstream, continua.

Mas você muda o tamanho da escala e já está tudo igual

em termos de business. A pergunta é se essa geração faz uma

música para esse grande mercado ou se ela está formando

um novo público. Outra pergunta é se o grande mercado na

verdade não passa de uma imposição de uma máfia que dita

o que vai ser popular.

(Galileu, março de 2013. Adaptado.)

Em seu depoimento no artigo, o músico Lucas Santtana sugere

que o grande mercado talvez não passe da imposição

de uma máfia. O termo máfia, nesse caso, foi empregado no

sentido de