Português — interpretação de textos
As questões de números 06 a 10 tomam por base uma passagem
do artigo Os operários da música livre, de Ronaldo
Evangelista.
Desde o final do século 20, toda a engrenagem industrial
do mercado musical passa por intensas transformações,
como o surgimento e disseminação de novas tecnologias, em
grande parte gratuitas, como os arquivos MP3s, as redes
de compartilhamento destes arquivos, mecanismos torrents,
sites de armazenamento de conteúdo, ferramentas de publicação
on–line — tudo à disposição de quem quisesse dividir
com os outros suas canções e discos favoritos. A era pósindustrial
atingiu toda a indústria do entretenimento, mas
o braço da música foi quem mais sofreu, especialmente as
grandes gravadoras multinacionais, as chamadas majors,
que sofreram um declínio em todas as etapas de seu
antigo negócio, ao mesmo tempo em que rapidamente se
aperfeiçoavam ferramentas baratas e caseiras de produção
que diminuíam a distância entre amadores e profissionais.
A era digital é também chamada de pós–industrial porque
confronta o modelo de produção que dominava até
o final do século 20. Esse modelo industrial é baseado na
repetição, em formatar e embalar. Por trás disso, a ideia é
obter a máxima produção — o que, para produtos em geral,
funciona muito bem. Quando esses parâmetros são aplicados
à arte, a venda do produto (por exemplo, o disco) depende
do conteúdo (a canção). A canção que vai resultar nessa
produção máxima é buscada por meio de um equilíbrio
entre criatividade e uma fórmula de sucesso que desperte o
interesse do público. Como estudos ainda não conseguiram
decifrar como direcionar a criatividade de uma maneira que
certamente despertará esse interesse (e maximizará a produ–
ção), a opção normalmente costuma ser pela solução mais
simples.
Cada um tem descoberto suas fórmulas e possibilidades,
pois tudo tende a ser cada vez menos homogêneo, opina
o baiano Lucas Santtana, que realizou seus discos recentes
às próprias custas.Claro que ainda existe uma distância
em relação aos artistas chamados mainstream, continua.
Mas você muda o tamanho da escala e já está tudo igual
em termos de business. A pergunta é se essa geração faz uma
música para esse grande mercado ou se ela está formando
um novo público. Outra pergunta é se o grande mercado na
verdade não passa de uma imposição de uma máfia que dita
o que vai ser popular.
(Galileu, março de 2013. Adaptado.)
Segundo o autor, desde o final do século 20, as novas tecnologias
e softwares voltados para a música beneficiaram
Uma questão respondida. E as próximas?
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