Questão #12245452013

Português

Leia o texto para responder às questões de números 36 a 43.

Fronteiras do pensamento

SÃO PAULO – O livro é um catatau de quase 600 páginas

e traz só uma ideia. Ainda assim, Surfaces and Essences (superfícies

e essências), do físico convertido em cientista cognitivo

Douglas Hofstadter e do psicólogo Emmanuel Sander, é uma

obra importante. Os autores apresentam uma tese que é a um

só tempo capital e contraintuitiva – a de que as analogias que

fazemos constituem a matéria-prima do pensamento – e se põem

a demonstrá-la.

Para fazê-lo, eles se valem de um pouco de tudo. A argumentação

opera nas fronteiras entre a linguística, a filosofia, a

matemática e a física, com incursões pela literatura, o estudo

comparativo dos provérbios e a enologia, para enumerar algumas

poucas das muitas áreas em que os autores se arriscam.

A ideia básica é que o cérebro pensa através de analogias.

Elas podem ser infantis (mamãe, eu desvesti a banana), banais

(termos como e e mas sempre introduzem comparações

mentais) ou brilhantes (Galileu revolucionou a astronomia vendo

os satélites de Júpiter como luas), mas estão na origem de

todas as nossas falas, raciocínios, cálculos e atos falhos – mesmo

que não nos demos conta disso.

Hofstadter e Sander sustentam que o processo de categoriza-

ção, que muitos especialistas consideram a base do pensamento,

não envolve nada mais do que fazer analogias.

Para não falar apenas de flores (mais uma analogia), o livro

ganharia bastante se tivesse passado por um bom editor disposto

a cortar pelo menos uns 30% de gorduras. Algumas das digressões

dos autores são francamente dispensáveis e eles poderiam

ter sido mais contidos nos exemplos, que se contam às centenas,

estendendo-se por páginas e mais páginas, quando meia dúzia

teriam sido suficientes.

A prolixidade e o exagero, porém, não bastam para apagar o

brilho da obra, que definitivamente muda nossa forma de pensar

o pensamento.

(Hélio Schwartsman, Fronteiras do pensamento.

Folha de S.Paulo, 19.05.2013. Adaptado)

Na frase que inicia o segundo parágrafo Para fazê-lo, eles se valem de um pouco de tudo.. o pronome -lo” recupera a seguinte informação: