Questão #11867852014

Concursos públicos

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões

de números 1 a 8.

O conceito de indústria cultural foi criado por Adorno e

Horkheimer, dois dos principais integrantes da Escola de

Frankfurt. Em seu livro de 1947, Dialética do esclarecimento,

eles conceberam o conceito a fim de pensar a questão da

cultura no capitalismo recente. Na época, estavam impactados

pela experiência no país cuja indústria cultural era a mais

avançada, os Estados Unidos, local onde os dois pensadores

alemães refugiaram-se durante a Segunda Guerra.

Segundo os autores, a cultura contemporânea estaria

submetida ao poder do capital, constituindo-se num sistema que

englobaria o rádio, o cinema, as revistas e outros meios − como

a televisão, a novidade daquele momento −, que tenderia a

conferir a todos os produtos culturais um formato semelhante,

padronizado, num mundo em que tudo se transformava em

mercadoria descartável, até mesmo a arte, que assim se desqualificaria

como tal. Surgiria uma cultura de massas que não

precisaria mais se apresentar como arte, pois seria caracterizada

como um negócio de produção em série de mercadorias

culturais de baixa qualidade. Não que a cultura de massa fosse

necessariamente igual para todos os estratos sociais; haveria

tipos diferentes de produtos de massa para cada nível socioeconômico,

conforme indicações de pesquisas de mercado. O controle

sobre os consumidores seria mediado pela diversão, cuja

repetição de fórmulas faria dela um prolongamento do trabalho

no capitalismo tardio.

Muito já se polemizou acerca dessa análise, que tenderia

a estreitar demais o campo de possibilidades de mudança em

sociedades compostas por consumidores supostamente resignados.

O próprio Adorno chegou a matizá-la depois. Mas o

conceito passou a ser muito utilizado, até mesmo por quem diverge

de sua formulação original. Poucos hoje discordariam de

que o mundo todo passa pelo filtro da indústria cultural, no

sentido de que se pode constatar a existência de uma vasta

produção de mercadorias culturais por setores especializados

da indústria.

Feita a constatação da amplitude alcançada pela

indústria cultural contemporânea, são várias as possibilidades

de interpretá-la. Há estudos que enfatizam o caráter alienante

das consciências imposto pela lógica capitalista no âmbito da

cultura, a difundir padrões culturais hegemônicos. Outros frisam

o aspecto da recepção do espectador, que poderia interpretar

criativamente − e não de modo resignado − as mensagens que

lhe seriam passadas, ademais, de modo não unívoco, mas com

multiplicidades possíveis de sentido.

(RIDENTI, Marcelo. Indústria cultural: da era do rádio à era

da informática no Brasil. In: Agenda brasileira. São Paulo: Cia

das Letras, 2011, p. 292 a 301)

O próprio Adorno chegou a matizá-la depois. (3º parágrafo)... são várias as possibilidades de interpretá-la. (4o parágrafo) ... as mensagens que lhe seriam passadas... (4º parágrafo) Os pronomes destacados acima referem-se, no contexto, respectivamente, a