Questão #11792132014

Português

Atenção: As questões de números 01 a 08 referem-se ao

texto que segue.

Uma história em comum

Os povos indígenas que hoje habitam a faixa de terras que

vai do Amapá ao norte do Pará possuem uma história comum de

relações comerciais, políticas, matrimoniais e rituais que remonta a

pelo menos três séculos. Essas relações até hoje não deixaram de

existir nem se deixaram restringir aos limites das fronteiras

nacionais, estendendo-se à Guiana-Francesa e ao Suriname.

Essa amplitude das redes de relações regionais faz da

história desses povos uma história rica em ganhos e não em

perdas culturais, como muitas vezes divulgam os livros didáticos

que retratam a história dos índios no Brasil. No caso específico

desta região do Amapá e norte do Pará, são séculos de

acúmulo de experiências de contato entre si que redundaram

em inúmeros processos, ora de separação, ora de fusão grupal,

ora de substituição, ora de aquisição de novos itens culturais.

Processos estes que se somam às diferentes experiências de

contato vividas pelos distintos grupos indígenas com cada um

dos agentes e agências que entre eles chegaram, dos quais

existem registros a partir do século XVII.

É assim que, enquanto pressupomos que nós descobrimos

os índios e achamos que, por esse motivo, eles dependem de

nosso apoio para sobreviver, com um pouco mais de

conhecimento sobre a história da região podemos constatar que os

povos indígenas dessa parte da Amazônia nunca viveram isolados

entre si. E, também, que o avanço de frentes de colonização em

suas terras não resulta necessariamente num processo de

submissão crescente aos novos conhecimentos, tecnologias e

bens a que passaram a ter acesso, como à primeira vista pode nos

parecer. Ao contrário disso, tudo o que esses povos aprenderam e

adquiriram em suas novas experiências de relacionamento com os

não-índios insere-se num processo de ampliação de suas redes de

intercâmbio, que não apaga − apenas redefine − a importância das

relações que esses povos mantêm entre si, há muitos séculos,

apesar de nossa interferência.

(Adaptado de: GALLOIS, Dominique Tilkin; GRUPIONI, Denise

Fajardo. Povos indígenas no Amapá e Norte do Pará: quem

são, onde estão, quantos são, como vivem e o que pensam?

São Paulo: Iepé, 2003, p.8-9)

Acentuam-se devido à mesma regra os seguintes vocábulos do texto: