Português
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 04.
A solidão do taxista
Tive um tio taxista. Por incrível que pareça, de vez em
quando, tio Fausto me levava para trabalhar junto com ele.
Eram outros tempos. Eu tinha lá meus oito, nove anos e,
quando o passageiro se surpreendia com a presença da menininha
no banco de trás do carro, meu tio falava: Se o senhor
não se importa, vou levar minha sobrinha ao dentista, mas posso
quebrar o galho e fazer sua corrida.
Ninguém se importava, ele nunca me levou ao dentista e
ganhamos muitas histórias no fusquinha verde-água zanzando
pelo Rio de Janeiro.
Eu escutava as conversas, as notícias do rádio, dormia, acordava,
ganhava balas dos passageiros e via a vida correndo pela
janela. Era fã do meu tio e de seu jeito de flanar pela vida. Ele
achava tudo divertido, adorava um bom papo.
Meu tio me fez crer que uma das melhores profissões do mundo
é taxista. Virei atriz. Mas, se há coisa de que gosto, é andar de táxi.
Sento no banco de trás, abro a janela e, mesmo quando não
rola conversa, o simples fato de ficar sacolejando no trânsito
olhando pela janela é para mim algo de extremo prazer. É um
descanso sem igual.
Acontece que comprei um iPhone e, pouco a pouco, fui
pedindo licença a meu amigo taxista para um telefonema aqui,
um e-mail acolá e passei a interromper meu precioso flanar nos
táxis com coisas que acho que precisam ser feitas naquela hora.
Em dias mais corridos, entro dizendo o destino entre uma fala
e outra ao telefone, pago a corrida com o troço no ombro e saio do
carro com meu tio balançando a cabeça lá em cima. Que desperdício!
Meu celular me abriu infinitas janelas, mas me roubou a
mais preciosa de todas. Nossos eletrônicos vão sorrateiramente
nos roubando a plenitude, ou seja, a simples sensação de estar
em um lugar, sem achar que deveria estar em outro.
Penso no meu tio e imagino o quanto se divertiria ouvindo
os absurdos que falamos ao celular ao ignorar o solitário taxista.
Eles devem ter muitas histórias para contar quando chegam para
jantar. Se as esposas não estiverem no Facebook...
(Denise Fraga. Folha de S.Paulo, 12.06.2012. Adaptado)
Considere o trecho do primeiro parágrafo.
Se o senhor não se importa, vou levar minha sobrinha ao
dentista, mas posso quebrar o galho e fazer sua corrida.
Esse trecho está corretamente reescrito e mantém o sentido
do texto em:
Uma questão respondida. E as próximas?
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