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Fidelidade ou lealdade?
IVAN MARTINS
Nos últimos dias, ando apaixonado pela palavra lealdade”. Deve ser por causa de um
livro que estou terminando, um romance sobre antigos amigos e amantes que voltam a
se encontrar e precisavam acertar suas diferenças. Eles já não se gostam, mas confiam
um no outro. Eles deixaram de se amar, mas ainda se protegem mutuamente. Isso é
lealdade, em uma de suas formas mais bonitas. Lealdade ao que fomos e sentimos.
Ao ler o romance, me ocorreu que amar é fácil. Tão fácil que pode ser inevitável. A
gente ama quem não merece, ama quem não quer nosso amor, ama a despeito de nós
mesmos. Tem a ver com hormônios, aparência e sensações que não somos capazes de
controlar. A lealdade não. Ela não é espontânea e nem barata. Resulta de uma decisão
consciente e pode custar caro. Ela é uma forma de nobreza e tem a ver com sacrifício.
Não é uma obrigação, é uma escolha que mistura, necessariamente, ideias e
sentimentos. Na lealdade talvez se manifeste o melhor de nós. (...)
A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de
alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se
faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades
em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que
a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance.
Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. (...)
O romantismo, embora a gente não o veja sempre assim, é uma forma exacerbada de
egoísmo. Meu amor, minha paixão, minha vida. Minha família, inclusive. Tem a ver com
desejo, posse e exclusividade, que tornam a infidelidade insuportável, a perda
intolerável. As pessoas matam por isso todos os dias. Porque amam. É um sentimento
que não exige elevação moral e pode colocar à mostra o pior de nós mesmos, embora
pareça apenas lindo. (...)
Talvez devêssemos pensar de forma mais generosa. Talvez precisemos nos
apaixonar por ideias, nos ligar por compromissos, cultivar sonhos e aspirações que
estejam além dos nossos interesses pessoais. Correr riscos maiores que o de ser traído
ou demitido. O idealismo, que tem sido uma força de mudança na conduta humana,
precisa ser resgatado. Não apenas para salvar o planeta e a sociedade, mas para nos
dar, pessoalmente, alguma forma de esperança. A fidelidade nos leva até a esquina. A
lealdade talvez nos conduza mais longe, bem mais longe.
Disponível em: Acesso em
16/07/2014.
Leia o fragmento extraído do conto O MINEIRINHO, de Clarice Lispector, e marque a alternativa CORRETA: É, suponho que é em mim, como um dos representantes do nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um facínora” Qual é a função sintática do termo destacado em negrito?
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