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INSTRUÇÃO: Considere o texto 3, a seguir, para responder às questões
11 a 15.
Texto 3
Ciência e o sentido da vida
Marcelo Gleiser
[1º§]Outro dia, estava dando uma palestra, quando alguém
me fez aquela pergunta: professor, por que o senhor é cientista?
Respondi que não podia ser outra coisa, que considerava um
privilégio poder dedicar minha vida ao ensino e à pesquisa. Mas
o que de fato está por trás dessa profissão, ao menos para mim,
é uma oportunidade única para criarmos algo de novo, algo que
nos diferencie do resto.
[2º§]A ciência oferece uma oportunidade para que possamos
nos engajar com o mistério, como Einstein chamava nossa atra-
ção pelo desconhecido: A emoção mais significativa que podemos
sentir é o mistério. Ela é o berço da verdadeira arte e da ci-
ência. Quem não a conhece e não é mais capaz de se maravilhar,
está mais morto do que vivo, como uma vela que se apagou.
[3º§]Einstein pôs as artes e as ciências sobre o mesmo patamar,
frutos que são da criatividade humana. Para ele, nossas cria-
ções são produto desse questionamento incessante sobre quem
somos e sobre o mundo à nossa volta.
[4º§]A ciência abre portas para o desconhecido, para o que
nos foge aos sentidos. Aquilo que não vemos ou ouvimos é tão
real quanto o que percebemos. Usamos instrumentos variados
para amplificar nossa percepção da realidade, mesmo sabendo
que nossa visão será sempre limitada: qualquer microscópio, telescópio
ou detector tem alcance e precisão determinados pelo
estado da tecnologia.
[5º§]É claro que um telescópio do século 19 não pode competir
com os telescópios mais avançados de hoje. Com isso, o
que captamos da realidade depende de forma essencial daquilo
que nossos instrumentos nos permitem ver. Esse fato tem uma
consequência importante: o que captamos do mundo depende
das tecnologias que usamos. Ou seja, com o avanço delas, muda,
muitas vezes, nossa visão de mundo.
[6º§]Um exemplo que já usei aqui é o microscópio. A visão da
vida antes e depois da invenção do microscópio mudou completamente.
O instrumento, inventado ao fim do século 17, permitiu que
víssemos criaturas invisíveis aos olhos. Com isso, novas perguntas
sobre a natureza da vida puderam ser feitas – perguntas que, antes
da invenção do microscópio, não eram nem vislumbradas.
[7º§]Esta é uma lição importante, que elaboro no livro Ilha do
Conhecimento: o conhecimento não evolui linearmente; cresce
de forma imprevisível, interagindo com as tecnologias que temos
ao nosso dispor. Portanto, o mistério que nos cerca, e que tanto
fascinava Einstein, estará sempre à nossa volta: não há como decifrá-lo
por completo. Isso dá uma conotação única à ciência. Sendo
um caminho para o conhecimento, ela nos oferece uma oportunidade
de estar sempre buscando, e crescendo com a busca.
[8º§]O sentido da vida é dar sentido à vida. Não existe, ou deve
existir, um fim. Pense num alpinista. Ele se prepara para subir o
pico que vê à sua frente e, depois de muito esforço, consegue. De
lá de cima, pode fazer duas coisas: se dar por satisfeito e descer,
ou olhar em torno e ver todos os picos que ainda não escalou.
[9º§]A busca pelo conhecimento científico é assim: uma escalada
por todos os picos que podemos encontrar. E quando conquistarmos
todos eles, basta olhar para cima, e continuar nossa
busca no espaço.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo, 12/10/2014. Texto adaptado.
Considere este trecho:
A opção em que se encontra a reescrita desse trecho sem rupturas
de sentido é
Uma questão respondida. E as próximas?
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