Português — salário e remuneração
Ganhamos a guerra, não a pazOs físicos se encontram numa posição não muitodiferente da de Alfred Nobel. Ele inventou o mais poderosoexplosivo jamais conhecido até sua época, um meio dedestruição por excelência. Para reparar isso, para aplacar suaconsciência humana, instituiu seus prêmios à promoção da paze às realizações pacíficas. Hoje(*), os físicos que participaramda fabricação da mais aterradora e perigosa arma de todos ostempos sentem-se atormentados por igual sentimento deresponsabilidade, para não dizer culpa. E não podemos desistirde advertir e de voltar a advertir, não podemos e não devemosrelaxar em nossos esforços para despertar nas nações domundo, e especialmente nos seus governos, a consciência doinominável desastre que eles certamente irão provocar, amenos que mudem sua atitude em relação uns aos outros e emrelação à tarefa de moldar o futuro.Ajudamos a criar essa nova arma, no intuito de impedirque os inimigos dahumanidade a obtivessem antes de nós, oque, dada a mentalidade dos nazistas, teria significado umainconcebível destruição e escravização do resto do mundo.Entregamos essa arma nas mãos dos povos norte-americano ebritânico, vendo neles fiéis depositários de toda a humanidade,que lutavam pela paz e pela liberdade. Até agora, porém, nãoconseguimos ver nenhuma garantia das liberdades que foramprometidas às nações no Pacto do Atlântico. Ganhamos aguerra, não a paz. As grandes potências, unidas na luta, estãoagora divididas quanto aos acordos de paz. Prometeu-se aomundo que ele ficaria livre do medo, mas, na verdade, o medoaumentou enormemente desde o fim da guerra. Prometeu-se aomundo que ele ficaria livre da penúria, mas grandes partes delese defrontam com a fome, enquanto outras vivem naabundância. (...)Possa o espírito que motivou Alfred Nobel a criar suanotável instituição, o espírito de fé e confiança, de generosidadee fraternidade entreos homens, prevalecer na mente daquelesde cujas decisões dependem nossos destinos. Do contrário, acivilização humana estará condenada.(Albert Einstein, Escritos da maturidade. Tradução de MariaLuiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994)(*) Este texto foi escrito em 1945, logo depois do fim daII Guerra Mundial.
Considere as seguintes afirmações:I. A criação e a entrega da mais aterradora e perigosaarma de todos os tempos aos norte-americanos e britânicos se deram em meio a uma perigosa e disputada corrida armamentista.II. Einstein mostra-se insatisfeito quanto aos termos em que se configurou o Pacto do Atlântico, um acordo em si mesmo tímido e incapaz de gerar bons resultados.III. Einstein inclui-se entre os responsáveis pelo término da guerra e pela derrota dos nazistas, mas declina de qualquer responsabilidade quanto a uma futura utilização da nova e devastadora arma. Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em
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