Questão #15234092003

História do Brasil — das modalidades de obrigações

Nossa aventura histórica é singular. Por isso e por realizar-senos trópicos, ela é inteiramente nova. Se nossas classes dominantes serevelam infecundas, o mesmo não se passa com o povo, no seuprocesso de autocriação. E é com essa vantagem de sermos mestiços,que vamos chegar ao futuro.Foi, aliás, em busca do futuro que passamos todo um século aindagar quem somos, e o que queremos ser, e a projetar imagens denós mesmos, espelho contra espelho. A cada sístole e a cada diástoledesses cem anos corresponderam visões otimistas e pessimistas,barrocas e contidas, esperançosas e desalentadas. Pois cada momento- o da Belle Époque, o da Revolução de 30, o do Estado Novo, o daredemocratização, o do dia seguinte ao suicídio de Getúlio Vargas, odo desenvolvimentismo dos anos 50, o do regime militar e o dasegunda redemocratização - refez o retrato do Brasil. Mudou, aolongo do tempo, a linguagem com que nos descrevemos. E mudoutambém o país acerca do qual sedissertava. Lidos um após outro, osnossos evangelistas soam dissonantes, mas, juntos, se corrigem oupolifonicamente se completam.Alberto da Costa e Silva. Quem fomos nós no século XX: as grandes interpretações doBrasil. In: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira(1500-2000) - a grande transação. São Paulo: SENAC, 2000, p. 38, (com adaptações).A partir da análise contida no texto apresentado e considerandoaspectos significativos da trajetória republicana brasileira, julgue ositens que se seguem.

Ao falar em sístole e diástole ao longo da república brasileira, o autor reitera o ponto de vista, hoje majoritário na historiografia, da linearidade do processo histórico vivido pelo país ao longo do século XX. Momentos de crise, ainda que agudos em determinadas circunstâncias, não foram suficientes para alterar um quadro geral de continuidade que levou o Brasil a apresentar no fim do século XX uma fisionomia bastante próxima da que tinha nas primeiras décadas republicanas.