Questão #15188222004

Português — interpretação de textos

Leis para indigentes moraisAcaba de chegar a Massachussets um grupo deadolescentes sudaneses que viajaram diretamente da Idade daPedra, ou quase, para a América do século XXI. São cinco milrefugiados, que estão sendo distribuídos pelos EUA. Paramuitos, a viagem de avião é a primeira experiência em umtransporte motorizado.Qual será o maior estranhamento para essesjovens? A neve e a calefação? Os celulares? A Internet? (...)O susto virá da quantidade de leis formaisdetalhadas e explícitas que regram a vida americana, enquantoa vida da tribo era regrada por poucas normas quase sempreimplícitas - ou seja, pela confiança de todos numa moralcomum tácita.Nossas leis tornam-se cada vez mais detalhadas,pois há a idéia de que um código exaustivo garantiria ofuncionamento de uma comunidade justa. De fato, essaproliferação revela a angústia de uma cultura insegura de suasopções morais. Por sermos indigentes morais, compilamosumacasuística da qual esperamos que diga exatamente o que fazerem cada circunstância. O dito legalismo da sociedadeamericana, tão freqüentemente denunciado, é apenas o sinaldessa indigência.A tentativa de animar uma comunidade por umalengalenga de leis testemunha a fraqueza do vínculo social. Nãopodemos confiar numa inspiração moral compartilhada, por issoinventamos regras para ter, ao menos, muitas obrigaçõescomuns.(Contardo Calligaris, Terra de ninguém. S. Paulo: Publifolha,2004, pp. 66/68)

Considere as seguintes afirmações:I. Não existiria a indigência moral, a que especificamente se refere o autor do texto, se houvesse a confiança dos cidadãos em princípios morais que fossem compartilhados.II. Nas sociedades ditas primitivas, como a sudanesa, há uma grande insegurança dos seus componentes quanto às normas e valores que devem reger a vida social.III. O autor considera que a proliferação de leis, tal como ocorre nos EUA, equivale a uma compilação casuística de normas, na qual se busca prever todas as circunstâncias. Em relação ao texto, está correto o que se afirma em