Questão #14545612008

Português — concordância nominal e verbal

Fim de feiraQuando os feirantes já se dispõem a desarmar asbarracas, começam a chegar os que querem pagar pouco peloque restou nas bancadas, ou mesmo nada, pelo que ameaçaestragar. Chegam com suas sacolas cheias de esperança.Alguns não perdem tempo e passam a recolher o que está pelochão: um mamãozinho amolecido, umas folhas de couve amarelas,a metade de um abacaxi, que serviu de chamariz para osfregueses compradores. Há uns que se aventuram até mesmonas cercanias da barraca de pescados, onde pode haveralguma suspeita sardinha oculta entre jornais, ou uma ponta decação obviamente desprezada.Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pessoas:oferecem-lhes o que, de qualquer modo, eles iriam jogar fora.Mas outros parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dosrefugos, e chegam a recolhê-los para não os verem coletados.Agem para salvaguardar não o lucro possível, mas o princípiomesmo do comércio. Parecem temer que a fome sejadebeladasem que alguém pague por isso. E não admitem ser acusadosde egoístas: somos comerciantes, não assistentes sociais,alegam.Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão dalimpeza e os funcionários da prefeitura varrem e lavam tudo,entre risos e gritos. O trânsito é liberado, os carros atravancama rua e, não fosse o persistente cheiro de peixe, a ninguémocorreria que ali houve uma feira, freqüentada por tão diversasespécies de seres humanos.(Joel Rubinato, inédito)

Está INCORRETA a seguinte afirmação sobre um recurso de construção do texto: no contexto do