Questão #14470372009

Português — Árvores

Liberdade minha, liberdade tuaUma professora do meu tempo de ensino médio, apropósito de qualquer ato de indisciplina ocorrido em suasaulas, invocava a sabedoria da frase A liberdade de um terminaonde começa a do outro. Servia-se dessa velha máxima paranos lembrar limites de comportamento. Com o passar do tempo,esqueci-me de muita coisa da História que ela nos ensinava,mas jamais dessa frase, que naquela época me soava, aomesmo tempo, justa e antipática. Adolescentes não costumamprezar limites, e a ideia de que a nossa (isto é, a minha...)liberdade termina em algum lugar me parecia inaceitável. Maseu também me dava conta de que poderia invocar a mesmafrase para defender aguerridamente o meu espaço, quandoameaçado pelo outro, e isso a tornava bastante justa... Porvezes invocamos a universalidade de um princípio por razõesinteiramente egoístas.Confesso que continuo achando a frase algoperturbadora, provavelmente pelopressuposto que ela encerra:o de que os espaços da liberdade individual estejam distribuídose demarcados de forma inteiramente justa. Para dizer semmeias palavras: desconfio do postulado de que todos sejamosigualmente livres, ou de que todos dispomos dos mesmosmeios para defender nossa liberdade. Ele parece traduzir muitomais a aspiração de um ideal do que as efetivas práticassociais. O egoísmo do adolescente é um mal dessa idade ou,no fundo, subsiste como um atributo de todas?Acredito que uma das lutas mais ingentes da civilizaçãohumana é a que se desenvolve, permanentemente,contra os impulsos do egoísmo humano. A lei da sobrevivênciana selva - lei do instinto mais primitivo - tem voz forte e procuraresistir aos dispositivos sociais que buscam controlá-la.Naquelas aulas de História, nossa professora, para controlar aenergia desbordante dos jovens alunos, demarcava seu espaçode educadora e combatia a expansão do nosso territórioanárquico.Estava ministrando-nos na prática, ao lembrar oslimites da liberdade, uma aula sobre o mais crucial desafio dacivilização.(Valdeci Aguirra, inédito)

Considerando-se o contexto, a alternativa em que NÃO se traduz com equivalência de sentido uma expressão do texto é: