Português — pronomes
Filmes sobre tribunaisNão são poucos os filmes, ou mesmo séries de TV, emque a personagem principal é uma instituição: um julgamento notribunal, com júri popular. É verdade que em muitos dessesfilmes há as preliminares das peripécias violentas, da açãopolicial, da detenção e do interrogatório de suspeitos, mas oclímax fica reservado para os ritos de acusação e defesa, tudoculminando no anúncio da sentença. Que tipo de atraçãoexercem sobre nós essas tramas dramáticas?Talvez jamais saibamos qual foi a primeira vez que umgrupo de pessoas reuniu-se para deliberar sobre a punição dealguém que contrariou alguma norma de convívio; não terá sidomuito depois do tempo das cavernas. O fato mesmo de aspessoas envolvidas deliberarem em forma ritual deve-se àcrença na apuração de uma verdade e à adoção de paradigmasde justiça, para absolver ou condenar alguém. A busca e aconsolidação da indiscutibilidade dos fatos, bem como aconsequenteaplicação da justiça, não são questões desomenos: implicam a aceitação de leis claramenteestabelecidas, o rigor no cumprimento dos trâmites processuais,o equilíbrio na decisão. Ao fim e ao cabo, trata-se deestabelecer a culpa ou inocência ? valores com os quais nosdebatemos com frequência, quando interrogamos a moralidadedos nossos atos.É possível que esteja aí a razão do nosso interesse poresses filmes ou séries: a arguição do valor e do nível degravidade de um ato, sobretudo quando este representa umaafronta social, repercute em nossa intimidade. Assistindo a umdesses filmes, somos o réu, o promotor, o advogado de defesa,o juiz, os jurados; dramatizamos, dentro de nós, todos essespapéis, cabendo-nos encontrar em um deles o ponto de identificação.Normalmente, o diretor e o roteirista do filme jádecidiram tudo, e buscam deixar bem fixado seu próprio pontode vista. O que não impede, é claro, que possamos acionar, pornossa vez, umjulgamento crítico, tanto para estabelecer umjuízo pessoal sobre o caso representado em forma de ficçãocomo para julgar a qualidade mesma do filme. Destas últimasinstâncias de julgamento não podemos abrir mão.(Evaristo Munhoz, inédito)
Representa-se uma consequência e sua causa, respectivamente, na relação entre os seguintes segmentos:
Uma questão respondida. E as próximas?
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