Português — Lei nº 9.605 1998 lei dos crimes ambientais
Texto IV
Como o esporte deforma o caráter
O importante não é vencer, mas participar. O lema
apareceu pela primeira vez durante os Jogos Olímpicos de
1908, em Londres. Desde então, encaramos o esporte como uma
prática sem perdedores. Aos vencedores, os louros da
vitória. Aos derrotados, o aprendizado – lições como
disciplina, determinação, espírito de equipe. Daí a missão
das Olimpíadas: Um mundo mais pacífico e melhor por meio do
esporte (com o qual o Rio foi encarregado de colaborar em
2016).
A tese soa inspiradora, mas nem pra todo mundo. Caso de
ídolos, que se entupiram de anabolizantes para bater o
recorde. E de desconhecidos, que fingiram ter deficiência
mental para competir com vantagem em jogos. Focados no
pódio, eles trapacearam. E isso não é tão incomum. Como diz
a teoria, o esporte ajuda a moldar o caráter de uma pessoa.
Mas, como diz a prática, pode ser para pior.
No dia–a–dia, atletas priorizam tanto o esporte que
acabam menosprezando o que está fora dele. São até
incentivados a isso. Em Israel, 75% dos estudantes que
praticam esporte no colégio são autorizados pelos pais a
perder provas por causa de um jogo. E 66% dos atletas de
colégio são liberados de entregar trabalhos na data marcada,
de acordo com estudo da Universidade de Haifa. Ainda que bem
intencionada, a exceção ajuda a formar a ideia de que vale
tudo por um bom resultado. E de que o esporte merece atenção
total. É por isso que colar em provas é mais comum entre
atletas (65% colam) do que não atletas (60% ), como concluiu
o Instituto Josephson de Ética, ONG dos EUA que entrevistou
5300 estudantes americanos em 2007.
Mas as competições podem criar danos mais graves à
índole. Atletas de esportes de contato, como futebol americano
e luta greco–romana, têm possibilidades 40% maiores de
entrar em uma briga do que não atletas, segundo estudo da
Universidade do Estado da Pensilvânia.
Mas qual é, afinal, o fator responsável por essa
distorção? Para psicólogos, é a pressão para vencer. Essa
pressão excessiva neutraliza vantagens comprovadas do
esporte, como reforço à autoestima e habilidade de relacionamento.
No entanto, em algumas modalidades – individuais e
que envolvem menos contato – os benefícios ainda aparecem.
Alexandre Carvalho dos Santos, Superinteressante, novembro
de 2009. (adaptado)
Assinale a opção em que NÃO aparece um aposto, ou seja, um termo sintático que retoma o próprio texto, explicando ou ampliando o sentido de algo já expresso.
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