Português — provimentos (nomeação, promoção, readaptação, reversão, reintegração, recondução e aproveitamento)
Numa era nuclear, somos a exceção ou a regra? O encontrointernacional sobre segurança nuclear, que ocorreu nesta semana emWashington, dá-nos a oportunidade de refletir sobre as causas dessaterrível situação. Considerando que nosso futuro será, em grandeparte, determinado por nossa atitude perante a questão nuclear, ébom nos perguntarmos como chegamos até aqui, com o poder dedestruir a civilização. O que isso nos diz sobre quem somos comoespécie?Talvez seja útil retornar a um tópico que, à primeira vista, poucotem a ver com essa discussão ética: a existência de civilizaçõesextraterrestres. No início da década de 1950, enquanto almoçava nalanchonete do laboratório de Los Alamos - o mesmo onde, algunsanos antes, a primeira bomba atômica foi construída -, o grande físicoEnrico Fermi parou de comer e perguntou aos seus companheiros:Onde está todo mundo?.Seus amigos olharam em torno, procurando quem estava atrasado.Não, estou falando dosalienígenas. Onde estão eles?Com um guardanapo e caneta, Fermi mostrou que, se nossa galáxiatem 10 bilhões de anos e um diâmetro de 100 mil anos-luz, umacivilização que houvesse aparecido, digamos, um milhão de anosantes da nossa teria tido tempo de sobra para colonizar a galáxia porinteiro. Sendo assim, insistiu, onde está todo mundo?Existem várias respostas para essa questão, conhecida comoParadoxo de Fermi. A que importa para a nossa discussão de hojeargumenta que os alienígenas não estão aqui porque toda civilizaçãoque é capaz de fabricar bombas nucleares se autodestrói. Sem dúvida,uma visão extremamente pessimista da história das civilizações.Dado isso, devemos nos perguntar se nossa história sob o jugodas armas nucleares nos últimos 65 anos é exceção ou regra. Somoscomo esses alienígenas suicidas ou mais espertos?Nossa aniquilação é inevitável ou será que seremos capazes degarantir nossa sobrevivência mesmo tendo em mãos armasdedestruição em massa? Infelizmente, armas nucleares são monstrosque jamais desaparecerão.Nenhuma descoberta científica desaparece. Uma vez revelada,permanece viva, mesmo se condenada como imoral por uma maioria.A barganha faustiana que acabamos por realizar com o poder tem umpreço muito alto. É irreversível. Não podemos mais contemplar ummundo sem armas nucleares. Sendo assim, será que podemoscontemplar um mundo com um futuro?O medo e a ganância - uma combinação letal - trouxeram-nos atéaqui. Por milhares de anos, cientistas e engenheiros serviram o Estadoem troca de dinheiro e proteção. Cercamo-nos de inimigos reais ouvirtuais e precisamos proteger nosso país e nossos lares a qualquerpreço. O patriotismo é o maior responsável pela guerra. Não é à toaque Einstein queria ver as fronteiras abolidas.Olhamos para o Brasil, os Estados Unidos e a Comunidade Europeia,onde fronteiras são cada vez mais invisíveis, e temos evidênciaempírica de que aunião de Estados sem fronteiras leva à estabilidadee à sobrevivência. A menos que as coisas mudem profundamente(por exemplo, se São Paulo resolver se separar do resto do país...), édifícil ver essa estabilidade ameaçada. Será, então, que a solução -admito, extremamente remota - é um mundo sem fronteiras, umasociedade de fato globalizada e economicamente integrada? Ou seráque existe outro modo de garantir nossa sobrevivência a longo prazocom mísseis carregando armas nucleares apontados uns para os outros,prontos a serem detonados? O que você diz?
Acesso em 25 de abril de 2010.
Quanto à argumentação presente no texto, assinale a alternativa coerente.
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