Questão #13638102011

Português — interpretação de textos

Meios e fins O crítico José Onofre disse uma vez que a frase não se faz uma omelete sem quebrar ovos é muito repetida por gente que não gosta de omelete, gosta do barulhinho dos ovos sendo quebrados. Extrema esquerda e extrema direita se parecem não porque amam seus ideais, mas porque amam os extremos, têm o gosto pelo crec-crec. A metáfora da omelete é o fim justifica os meios, em linguagem de cozinha. O fim justificaria todos os meios extre-mos de catequização e purificação, já que o fim é uma humani-dade melhor só variando de extremo para extremo o conceito de melhor. Todos os fins são nobres para quem os justifica, seja uma sociedade sem descrentes, sem classes ou sem raças impuras. O próprio sacrifício de ovos pelo sacrifício de ovos tem uma genealogia respeitável, a ideia de regeneração (dos outros) pelo sofrimento e pelo sangue acompanha a humanidade desde as primeiras cavernas. Ou seja, até os sádicos têm bonsargumentos. Mas o fim das ideologias teria decretado o fim do horror terapêutico, do mito da salvação pela purgação que o século passado estatizou e transformou no seu mito mais destrutivo. O fracasso do comunismo na prática acabou com a des-culpa, racional ou irracional, para o stalinismo. O tempo não redimiu o horror, o fim foi só a última condenação dos meios. (Adaptado de: Luis Fernando Verissimo, O mundo é bárbaro)

Para o crítico José Onofre, muitos dos que repetem a frase não se faz uma omelete sem quebrar ovos querem, com ela,