Questão #13637412011

Português — interpretação de textos

Em 1904, Kafka escreveu a seu amigo Oskar Pollak: Nofim das contas, penso que devemos ler somente livros que nosmordam e piquem. Se o livro que estamos lendo não nossacode e acorda como um golpe no crânio, por que nos darmoso trabalho de lê-lo? Para que nos faça feliz, como diz você?Seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros.Livros que nos façam felizes, em caso de necessidade,poderíamos escrevê-los nós mesmos. Precisamos é de livrosque nos atinjam como o pior dos infortúnios, como a morte dealguém que amamos mais do que a nós mesmos, que nosfaçam sentir como se tivéssemos sido banidos para a floresta,longe de qualquer presença humana, como um suicídio. É nissoque acredito.(Adaptado de Alberto Manguel. Uma história da leitura. SãoPaulo: Companhia das Letras, 1999, p. 113)

I. Kafka acredita que, para valer a pena ser lido, um livro deve surpreender e provocar o leitor, causando- lhe estranhamento e espanto. II. Ao afirmar que Seríamos felizes da mesma forma se não tivéssemos livros, Kafka paradoxalmente defende a ideia de que, apesar de oferecerem entretenimento, os livros não proporcionam um modo saudável de diversão, pois a leitura é uma atividade extremamente solitária. III. As reflexões de Kafka são construídas por meio de imagens que traduzem o tipo de livro que o autor considera necessário ler: aquele que atinge o leitor como o pior dos infortúnios. Está correto o que se afirma em