Português — Microeconomia
TEXTO VContra a maréCartunistas avaliam charge de João Montanaro, na Folha, que causou desconforto por retratar tsunami.João Montanaro já tinha decidido qual seria o tema da charge de sábado quando acordou na sexta-feira. Então, viu na televisão imagens de prédios se desfazendo em meio ao mar que avançava.Não dava para fazer um desenho sobre política!, diz.Ao decidir retratar o tsunami, Montanaro lembrou-se da xilogravura de Katsushika Hokusai. Foi uma das opções que ele enviou à Folha para aprovação e publicação.Fiquei surpreso com as críticas, diz. Acho que não entenderam a charge.Apesar da má recepção, inclusive na escola, o garoto diz estar seguro da escolha. Fiz o certo, minha intenção não era fazer uma piada.O ilustrador Adão Iturrusgarai, que publica na Ilustrada, defende Montanaro.É um desenho superimparcial. É inocente como o ilustrador, que é um jovenzinho, diz. De maugosto foi a tragédia em si. E completa: O humor funciona por conta dessa contraonda, desse mau humor e da burrice dos críticos.Para o artista Allan Sieber, que também publica na Ilustrada, Montanaro fez o trabalho dele e a escolha da ilustração valeu a pena.O pesquisador Gonçalo Junior, autor do livro A Guerra dos Gibis (Companhia das Letras), afrma que quem perdeu o bom senso, no caso da charge, foram os leitores que se manifestaram contra.Vivemos na era da chatice e do politicamente correto. É uma reação paranoica, o desenho retrata as mesmas coisas que todos esses vídeos que estão no YouTube.Exagerada ou não, a recepção da charge de Montanaro foi semelhante à vista na Malásia nesta semana.O desenho de Mohamad Zohri Sukimi, publicado no jornal Berita Harian, mostrava o herói japonês Ultraman fugindo de uma onda . Uma petição on-line rodou o mundo. O jornal se retratou.Apesar de o desenho deMontanaro não ter me incomodado, consigo entender por que alguns leitores se sentiram desconfortáveis, diz Sidney Gusman, editor-chefe do site Universo HQ. Fico imaginando como eu reagiria se tivesse perdido alguém nesse desastre.Outra razão apontada para a má recepção é o desconhecimento do desenho original.Quando vi o rascunho, perguntei a ele se as pessoas não iriam se chocar, diz Mario Sergio Barbosa, pai de Montanaro. Mas eu não conhecia a referência dele.Há também a possibilidade de o leitor não estar acostumado ao gênero da charge.As pessoas ligam a palavra charge a coisas alegres, mas a ideia é ser um convite ao pensamento, diz o quadrinista Mauricio de Sousa.O jornalista e professor de letras da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Paulo Ramos concorda.Quem está acostumado entende melhor desenhos como o de Montanaro. Outros veem as charges como necessariamente uma piada e, por isso, seincomodam.Spacca, 46, que fez parte do rodízio de ilustradores da página A2 entre 1986 e 1995, diz: Os cartunistas constroem uma imagem de irreverentes, de livres criadores, que podem fazer qualquer coisa.... Mas todo comunicador tem de antecipar a reação do público e medir o que vai causar. Nem tudo é permitido.Para Jal, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, é nesses momentos de tragédia que temos de fazer críticas. DIOGO BERCITO, de São Paulo (texto adaptado), 17/03/2011.
Observando os quatro textos em análise, SÓ se pode afirmar que:
Uma questão respondida. E as próximas?
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