Questão #13430132011

Português — interpretação de textos

Pensando os blogsHá não muito tempo, falava-se em imprensa escrita,falada e televisada quando se desejava abarcar todas aspossibilidades da comunicação jornalística. Os jornais e asrevistas, o rádio e a televisão constituíam o pleno espaçopúblico das informações. Tinham em comum o que se podechamar de autoria institucional: dizia-se, por exemplo, quetal notícia deu no Diário Popular, ou foi ouvida na rádioCacique, ou passou no telejornal da TV Excelsior. Funcionavacomo prova de veracidade do fato.Hoje a autoria institucional enfrenta séria concorrênciados autores anônimos, ou semi-anônimos, que se valem dosrecursos da internet, entre eles os incontáveis blogs. Consideradosuma espécie de cadernos pessoais abertos, os blogspossibilitam intervenção imediata do público e exploram em seuespaço virtual as mais distintas formas de linguagem: textos,desenhos, gravuras, fotos, músicas,vídeos, ilustrações, reportagens,entrevistas, arquivos importados etc. etc. A novidademaior dos blogs está nessa imediata conexão que podemrealizar entre o que seria essencialmente privado e o que seriaessencialmente público. Até mesmo alguns velhos jornalistasmantêm com regularidade esses espaços abertos dainternet, sem prejuízo para suas colunas nos jornais tradicionais.A diferença é que, em seus blogs, eles se permitemdepoimentos subjetivos e apreciações pessoais que não teriamlugar numa Folha de S. Paulo ou num O Globo, por exemplo.São capazes de narrar a cerimônia de posse do presidente daRepública incluindo os apartes e as impressões dos filhospequenos que também acompanhavam e comentavam oevento.Qualquer cidadão pode resolver sair da casca e dizer aomundo o que pensa da seleção brasileira, ou da mulher que oabandonou, ou da falta de oportunidades no seu ramo de negócio.Artistas plásticos trocamfigurinhas em seus blogs diantede um largo público de espectadores, escritores adiantam umcapítulo do próximo romance, um músico resolve divulgar sua nova canção já acompanhada de cifras para acompanhamentono violão. É só abrir um espaço na internet.Outro dia, num blog de algum sucesso, o autor gabavasede promover democraticamente, entre os incontáveis seguidoresseus, uma discussão sobre as mesmas questões quepreocupavam a roda fechada e cerimoniosa dos filósofos companheirosde Platão. Isso sim, argumentava ele, é que é umdiálogo verdadeiro. Tal atrevimento supõe que quantidade implicariaqualidade, e que democracia é uma soma infinita dasimpressões e opiniões de todo mundo...Não importa a extensão das descobertas tecnológicas,sempre será imprescindível a atuação do nosso espírito críticodiante de cada fato novo que se imponha à nossa atenção.(Belarmino Braga, inédito)

Ao final do texto, o autor desaprova, precisamente, o fácil entusiasmo de quem considera os blogs