Questão #13284072012

Português

LÍNGUA PORTUGUESA E REDAÇÃO OFICIAL

DIMENSÕES DA INTENSIFICAÇÃO DO TRABALHO

No cenário de reformas educacionais, as transformações socioeconômicas

interferem na escola e estimulam o desenvolvimento de

estratégias específi cas de gestão do trabalho. As transformações

organizacionais expressam-se, como lembram Terssac e Lompré

(1996), em um conjunto de regulamentos e incitações, de dispositivos

explícitos e obrigações implícitas, os quais se imbricam mais

ou menos harmoniosamente com as regras em vigor. Os modos

de gestão da carreira centrados no indivíduo convivem com o

estímulo ao trabalho coletivo, à cooperação, à descentralização e

autonomia local (...). Contradições desse tipo são reguladas, por

vezes, pelo trabalhador, em situação de urgência, incidindo sobre

o modo operatório e degradando as condições de trabalho.

Com base nos conhecimentos em ergonomia, sabe-se que, no

curso da ação, o trabalhador decide sobre o modo operatório, a

depender dos objetivos gerais da tarefa e daqueles objetivos que

ele elabora para adaptar as suas operações ao quadro temporal e

aos imprevistos que surgem derivados da variabilidade do objeto e

dos processos (Theureau, 1990). Em situação de urgência (evento

inesperado ou quando as tarefas se sobrepõem), o modo operatório

possível é aquele mais rápido. Ora, trabalhar sob pressão

temporal pode desfavorecer o desenvolvimento de estratégias de

autoproteção à saúde, como buscar a postura mais confortável,

permanecer sentado com o dorso apoiado, evitar abuso vocal. É

possível também que o modo operatório mais rápido implique abandonar

investimentos em direção à maior aproximação do aluno e

das suas necessidades, denotando perda da qualidade e sensação

de trabalho inacabado ou objetivo não alcançado.

(...)

A gestão da sala de aula é considerada dependente da expertise

pedagógica e das competências individuais e de relacionamento dos

docentes, e pouca ênfase é dada às situações objetivas de trabalho.

Exemplifi cando, no plano pedagógico está previsto trabalho em grupo.

Contudo, a desproporção entre o número de alunos e o espaço

físico gera perturbações na condução da atividade pedagógica.

As ausências dos professores que foram convocados para tarefas

outras na estrutura escolar, ou afastados por doença, provocam

reordenamento do trabalho na escola. Os profi ssionais presentes

terão de lidar com o aumento do volume de trabalho ao receberem

em suas salas os alunos do colega que se ausentou. Os professores

entrevistados por Silva (2007) têm a impressão de guardar aluno

quando substituem a ausência do colega. Improvisos e criação de

atividades em tempo real causam-lhes a sensação, segundo os seus

dizeres, de bombeiros para apagar incêndio ou gaiatos jogados na

sala. Atividades dessa natureza são resultado dos improvisos dos

substitutos no lugar do esperado ensino programático. Em realidade,

na ausência do professor os alunos passam a fazer qualquer

atividade para se manterem mais ou menos disciplinados dentro das

escolas. Estas são situações que trazem consequências diretas para

o rendimento ou aproveitamento dos alunos.

Os professores convivem com a fragilidade da relação de seus

alunos com o processo de aprendizagem, pois a abertura da escola

a novos contingentes da população trouxe problemas inusitados.

As restrições de acesso do universo familiar à cultura escolar e o

consumo de produtos culturais de massa sob o signo da imagem e

do som estão na base dos comportamentos alheios aos objetivos

pedagógicos. Superar essa realidade é crucial para a motivação do

aluno, que precisa ser convencido da importância do seu esforço para

vencer as difi culdades e abrir-se para a dedicação (Barrère, 2002).

(...)

Resumindo, a gestão atua sobre os recursos humanos, gerando

mais tarefas e exigindo um perfi l fl exível em detrimento de

adequações ou de medidas facilitadoras como recursos materiais

(microfones, salas de vídeo, ambiente multimeios), dimensio

dimensionamentos

qualitativo (habilidades e formação dos membros da

equipe) e quantitativo do efetivo, projeto da sala de aula etc. Ou

em outros casos, dependendo do modelo de gestão adotado pelas

redes de ensino ou pelas escolas, pode resultar em práticas que

bloqueiam a criatividade dos professores e interferem até mesmo

na aprendizagem do aluno. Nos dizeres da professora entrevistada

por Noronha (2001), há limites em sua autonomia, porque, muitas

vezes, terá de trabalhar de uma forma contrária àquela mais apropriada,

segundo a sua experiência com os alunos, para o nível e

o estágio de aprendizagem do aluno.

(Ada Ávila Assunção e Dalila Andrade Oliveira. Revista Educação amp; Sociedade,

Campinas, v. 30, nº 107, ago. 2009)

Os modos de gestão da carreira centrados no indivíduo convivem com o estímulo ao trabalho coletivo O trecho acima é adequadamente reformulado, substituindo-se o verbo conviver e mantendo o sentido global, em: