Jornalismo
Leia o texto abaixo para responder às questões 2 e 3.
Desterritorializar
As buscas mais radicais sobre o que significa estar entrando e saindo da
modernidade são as dos que assumem as tensões entre desterritorialização e
reterritorialização. Com isso refiro-me a dois processos: a perda da relação natural
da cultura com os territórios geográficos e sociais e, ao mesmo tempo, certas
relocalizações territoriais relativas, parciais, das velhas e novas produções
simbólicas.
Para documentar essa transformação das culturas contemporâneas,
analisarei primeiro a transnacionalização dos mercados simbólicos e as migrações.
Depois, proponho-me a explorar o sentido estético dessa mudança seguindo as
estratégias de algumas artes impuras.
1. Houve um modo de associar o popular com o nacional que nutriu, conforme
notamos em capítulos anteriores, a modernização das culturas latino-americanas.
Realizada primeiro sob a forma de dominação colonial, logo depois como
industrialização e urbanização sob modelos metropolitanos, a modernidade pareceu
organizar-se em antagonismos econômico-políticos e culturais: colonizadores vs.
colonizados, cosmopolitismo vs. nacionalismo. O último par de opostos foi o utilizado
pela teoria da dependência, segundo a qual tudo se explicava pelo confronto entre o
imperialismo e as culturas nacional-populares.
Os estudos sobre o imperialismo econômico e cultural serviram para conhecer
alguns dispositivos usados pelos centros internacionais de produção científica,
artística e comunicacional que condicionavam, e ainda condicionam, nosso
desenvolvimento. Mas esse modelo é insuficiente para entender as atuais relações
de poder. Não explica o funcionamento planetário de um sistema industrial,
tecnológico, financeiro e cultural, cuja sede não está em uma só nação, mas em
uma densa rede de estruturas econômicas e ideológicas. Também não dá conta da
necessidade das nações metropolitanas de flexibilizar suas fronteiras e integrar suas
economias, sistemas educativos, tecnológicos e culturais, como está acontecendo
na Europa e na América do Norte.
A desigualdade persistente entre o que os dependentistas chamavam o
primeiro e o terceiro mundo mantém com relativa vigência alguns de seus
postulados. Mas ainda que as decisões e benefícios dos intercâmbios se
concentrem na burguesia das metrópoles, novos processos tornam mais complexa a
assimetria: a descentralização das empresas, a simultaneidade planetária da
informação e a adequação de certos saberes e imagens internacionais aos
conhecimentos e hábitos de cada povo. A disseminação dos produtos simbólicos
pela eletrônica e pela telemática, o uso de satélites e computadores na difusão
cultural também impedem de continuar vendo os confrontos dos países periféricos
como combates frontais com nações geograficamente definidas. [....]
CANCLINI, Néstor García. Culturas Híbridas - estratégias para entrar e sair da
modernidade Tradução de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. São
Paulo: EDUSP, 1997. p. 283-350: Culturas híbridas, poderes oblíquos.
Ao observar estruturação e articulação respectivamente presentes no texto. Assinale a alternativa CORRETA:
Uma questão respondida. E as próximas?
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