Questão #13108732012

Jornalismo

Leia o texto abaixo para responder às questões 2 e 3.

Desterritorializar

As buscas mais radicais sobre o que significa estar entrando e saindo da

modernidade são as dos que assumem as tensões entre desterritorialização e

reterritorialização. Com isso refiro-me a dois processos: a perda da relação natural

da cultura com os territórios geográficos e sociais e, ao mesmo tempo, certas

relocalizações territoriais relativas, parciais, das velhas e novas produções

simbólicas.

Para documentar essa transformação das culturas contemporâneas,

analisarei primeiro a transnacionalização dos mercados simbólicos e as migrações.

Depois, proponho-me a explorar o sentido estético dessa mudança seguindo as

estratégias de algumas artes impuras.

1. Houve um modo de associar o popular com o nacional que nutriu, conforme

notamos em capítulos anteriores, a modernização das culturas latino-americanas.

Realizada primeiro sob a forma de dominação colonial, logo depois como

industrialização e urbanização sob modelos metropolitanos, a modernidade pareceu

organizar-se em antagonismos econômico-políticos e culturais: colonizadores vs.

colonizados, cosmopolitismo vs. nacionalismo. O último par de opostos foi o utilizado

pela teoria da dependência, segundo a qual tudo se explicava pelo confronto entre o

imperialismo e as culturas nacional-populares.

Os estudos sobre o imperialismo econômico e cultural serviram para conhecer

alguns dispositivos usados pelos centros internacionais de produção científica,

artística e comunicacional que condicionavam, e ainda condicionam, nosso

desenvolvimento. Mas esse modelo é insuficiente para entender as atuais relações

de poder. Não explica o funcionamento planetário de um sistema industrial,

tecnológico, financeiro e cultural, cuja sede não está em uma só nação, mas em

uma densa rede de estruturas econômicas e ideológicas. Também não dá conta da

necessidade das nações metropolitanas de flexibilizar suas fronteiras e integrar suas

economias, sistemas educativos, tecnológicos e culturais, como está acontecendo

na Europa e na América do Norte.

A desigualdade persistente entre o que os dependentistas chamavam o

primeiro e o terceiro mundo mantém com relativa vigência alguns de seus

postulados. Mas ainda que as decisões e benefícios dos intercâmbios se

concentrem na burguesia das metrópoles, novos processos tornam mais complexa a

assimetria: a descentralização das empresas, a simultaneidade planetária da

informação e a adequação de certos saberes e imagens internacionais aos

conhecimentos e hábitos de cada povo. A disseminação dos produtos simbólicos

pela eletrônica e pela telemática, o uso de satélites e computadores na difusão

cultural também impedem de continuar vendo os confrontos dos países periféricos

como combates frontais com nações geograficamente definidas. [....]

CANCLINI, Néstor García. Culturas Híbridas - estratégias para entrar e sair da

modernidade Tradução de Ana Regina Lessa e Heloísa Pezza Cintrão. São

Paulo: EDUSP, 1997. p. 283-350: Culturas híbridas, poderes oblíquos.

Ao observar estruturação e articulação respectivamente presentes no texto. Assinale a alternativa CORRETA: