Concursos públicos
A partir de um exemplo concreto, obtido através de uma pesquisa realizada junto a populações ribeirinhas do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, afetadas pela construção de uma barragem, Andréa Zhouri, professora da UFMG, problematizou o discurso ambientalista hegemônico, [...]. A pesquisadora contou que, durante um trabalho de campo realizado na região, em 2006, [...] ouviu-se dos moradores ribeirinhos uma série de denúncias. Eles relataram que a inauguração da barragem acarretou uma grande mortandade de peixes, a água do rio Jequitinhonha passou a apresentar odores fétidos e as pessoas reclamavam de alergias na pele e nos olhos. [...] Segundo ela, a equipe de pesquisadores relatou a situação ao Ministério Público que, por sua vez, instaurou um inquérito e designou um engenheiro sanitarista para investigar a pertinência das críticas feitas pelos ribeirinhos. [...] o caso serve para ilustrar como as diferentes posições dos atores sociais fazem emergir significados diferentes de meio ambiente. Diferentes pessoas e organismos tecem engajamentos distintos com o chamado meio ambiente. Por um lado, os ribeirinhos, que nunca tiveram a água tratada e usam a água do rio de forma direta, sentindo na pele literalmente as transformações daquela água. De outro lado, o perito técnico, que com sua análise objetiva, muito provavelmente vindo de uma experiência urbana e de classe social que tem acesso à água tratada e ao saneamento, atribui o uso da água do rio à ignorância da população local, observou Andréa, [...]. Disponível em: . Acesso em: 27 jul. 2012. Segundo a posição da pesquisadora, o discurso ambientalista hegemônico é equivocado porque concebe o meio ambiente como um(a)
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