Questão #12726842013

Português — burocracia

As questões 54 a 57 tomarão por base o texto de Maurizzio Gnerre: A linguagem não é usada somente para veicular informações, isto é, a função referencial denotativa da linguagem não é senão uma entre outras; entre estas ocupa uma posição central a função de comunicar ao ouvinte a posição que o falante ocupa de fato ou acha que ocupa na sociedade em que vive. As pessoas falam para serem ouvidas, às vezes para serem respeitadas e também para exercer uma influência no ambiente em que realizam os atos linguísticos. O poder da palavra é o poder de mobilizar a autoridade acumulada pelo falante e concentrá-la num ato linguístico (Bourdieu, 1977). Os casos mais evidentes em relação a tal afirmação são também os mais extremos: discurso político, sermão na igreja, aula, etc. As produções linguísticas deste tipo, e também de outros tipos, adquirem valor se realizadas no contexto social e cultural apropriado. As regras que governam a produção apropriada dos atos de linguagem levam em conta as relações sociais entre o falante e o ouvinte. Todo ser humano tem que agir verbalmente de acordo com tais regras, isto é, tem que saber: a) quando pode falar e quando não pode, b) que tipo de conteúdos referenciais lhe são consentidos, c) que tipo de variedade linguística é oportuno que seja usada; (...) nem todos os integrantes de uma sociedade têm acesso a todas as variedades e muito menos a todos os conteúdos referenciais. Somente uma parte dos integrantes das sociedades complexas, por exemplo, tem acesso a uma variedade culta ou padrão, considerada geralmente a língua, e associada tipicamente a conteúdos de prestígio. (Linguagem, Escrita e Poder. São Paulo: Martins Fontes, 1985.)

Numa das passagens do texto, que se transcreve a seguir, Gnerre escreveu tem que agir” e tem que saber”: Todo ser humano tem que agir verbalmente de acordo com tais regras, isto é, tem que saber: a) quando (...), b) que tipo (...), c) que tipo (...).” Se, diferentemente, o autor tivesse escrito tem de agir” e tem de saber”, poderíamos dizer que a frase estaria