Questão #12369372013

Literatura

As questões de números 16 a 20 abordam um poema de Raul

de Leoni (1895–1926).

A alma das cousas somos nós...

Dentro do eterno giro universal

Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,

Mas, se nesse vaivém tudo parece igual

Nada mais, na verdade,

05 Nunca mais se repete exatamente...

Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente

Que no–las leva e traz, num círculo fatal;

O que varia é o espírito que as sente

Que é imperceptivelmente desigual,

10 Que sempre as vive diferentemente,

E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...

Estado de alma em fuga pelas horas,

Tons esquivos e trêmulos, nuanças

Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris

15 Da sensibilidade furta–cor...

E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas

E a vida somos nós, que sempre somos outros!...

Homem inquieto e vão que não repousas!

Para e escuta:

20 Se as cousas têm espírito, nós somos

Esse espírito efêmero das cousas,

Volúvel e diverso,

Variando, instante a instante, intimamente,

E eternamente,

25 Dentro da indiferença do Universo!...

Embora pareça constituído de versos livres modernistas, o

poema em questão ainda segue a versificação medida, combinando

versos de diferentes extensões, com predomínio dos

de doze e dez sílabas métricas. Assinale a alternativa que

indica, na primeira estrofe, pela ordem em que surgem, os

versos de dez sílabas métricas, denominados decassílabos.