Questão #12151132013

Português

Atenção: Para responder às questões de números 9 a 15 considere o texto abaixo. Atualidade do velho Sêneca Encontra-se nos textos dos antigos clássicos uma sa­bedoria que não tem prazo de validade. Contemporâneo de Cristo, o sábio Sêneca, espanhol de nascimento que fez vida na Roma de Nero, deixou-nos um legado fundamental: princípios de uma corrente filosófica identificada com o estoicismo, cujas raízes se devem à cultura grega. Sêneca dedicou-se, em vários textos, à defesa desses princípios, cujo sentido está em dis­ciplinar nossa vida para levá-la a bom termo, ou seja, atravessá­la com sabedoria e proveito. Um dos princípios fundamentais: evitar o excesso das paixões, que perturbam a tranquilidade da alma. O homem es­toico não se deixa arrastar por sonhos irrealizáveis, nem es­tabelece para si o cumprimento de metas distintas: valoriza o dia a dia, encontra o prazer nas experiências cotidianas mais simples, aceitando o limite de sua força pessoal. A sabedoria está em vivermos o que é possível, para que na velhice não fi­quemos a lamentar tudo o que não foi alcançado. Sábio é tam­bém não esquecer que os sofrimentos e as dores são inevitáveis: por isso, estejamos sempre preparados para o que é tão previsível como um infortúnio. Contando com ele, sofre­remos menos. Para os estoicos, a inevitabilidade da morte deve estar no horizonte, não para atemorizar-nos, mas para nos lembrar que a vida é tão mais preciosa quanto a saibamos limitada pela própria natureza. Morrerá melhor quem melhor viva, ensina Sê­neca, e o tempo da vida é de qualquer modo suficiente para quem sabe vivê-lo e aproveitá-lo em todos os momentos pre­sentes, em vez de projetá-lo para o futuro ideal que nunca chega. A influência direta ou indireta desses princípios encon­tra-se em um sem-número de escritores. Em nossa literatura, o poeta Manuel Bandeira parece ter acolhido algumas convicções estoicas: sua vida e sua poesia fizeram-se sob a égide do limite, do menor, do imediato, em vez de aspirarem ao grandioso, ao infinito, ao transcendente. A simplicidade dos poemas de Bandeira está carregada da sabedoria de quem está atento ao que vive. O cotidiano é, para esse poeta, uma fonte permanente de poesia. Ler seus versos é aproximar-se dos sentimentos co­muns que ganham inesperada altura. Não se pode, talvez, afirmar que Bandeira tenha lido Sêneca e com ele aprendido a viver melhor. Mas é certo que Sêneca gostaria de vir a ler os poemas de Bandeira. (Valdir Callado, inédito)

O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se em uma forma do plural para preencher de modo correto a la­cuna da frase: