Questão #12117162013

Português

Atenção: Para responder às questões de números 1 a 8,

considere o texto abaixo.

Foi no Varandá

Quem não é baiano e chega a Salvador que também

se chama a Bahia” faz uma viagem profunda, encontrando

dentro de si uma chave insuspeitada, que abre inédita alegria e

invoca um verdadeiro companheirismo. É uma súbita epifania,

vale dizer, uma manifestação reveladora.

A minha ocorreu faz muito tempo, em 1970, e se deu

especialmente no Varandá, um inacreditável barzinho, perto do

elevador Lacerda, dependurado lá no alto, sobre o mar, com a

varanda que lhe deu o nome. Chegara a Salvador e já estava

com uma turma amiga, lá em cima, de frente para a lua e para o

forte São Marcelo. Parodiando Drummond: aquela lua, aquele

mar me botavam comovido como o diabo.

A descoberta de Salvador (que revisitei recentemente,

impressionado com a rápida metamorfose urbana que veio a

sofrer a extensa orla) não é sem consequências: o viajante volta

de lá não como um turista recompensado, mas como alguém

que incursionou para muito dentro de si mesmo, por ter

convivido tanto para fora... Talvez não se explique essa sensação

de que a alegria mais forte tem dois lados, fazendo comunicar-

se a alma pessoal com a alma das ruas.

Pois voltando recentemente a Salvador, procurei pelo

Varandá sabendo que já não existia há muito: é assim que

funciona a fome teimosa de nossa memória afetiva. Fui até o

portãozinho de ferro trancado, que dava para o corredor que à

frente virava para chegar à varanda sobre aquele abismo

mágico. Colado ao velho portão, vi caixotes velhos, papelão,

garrafas, signos do abandono quase diria de traição. Fiquei ali

uns minutos pensando, obviamente, na efemeridade de tudo.

Pensei comigo: - Foi aqui, foi no Varandá...

Saí de lá rumo à praça Castro Alves, pensando na magia

que os jovens viajantes de hoje, saberão encontrar na cidade.

Enquanto isso, ia lembrando uma canção: Viver não é fácil

não / Pergunte pra meu coração / sei perder na valentia/ sei

amar o meu amor / Ah moreno / Sei beber no Varandá / Foi

Sandoval quem me ensinou”.

(Justino da Veiga, inédito)

NÃO admite transposição para a voz passiva a construção sublinhada em: