Questão #11892492014

Concursos públicos

Migrar e trabalhar. Quando esses verbos se conjugam

Da pior forma possível, acontece o chamado tráfico de seres

humanos. O tráfico de pessoas para exploração econômica e

sexual está relacionado ao modelo de desenvolvimento que o

mundo adota. Esse modelo é baseado em um entendimento de

competitividade que pressiona por uma redução constante nos

custos do trabalho.

No passado, os escravos eram capturados e vendidos

como mercadoria. Hoje, a pobreza que torna populações

vulneráveis garante oferta de mão de obra para o tráfico – ao

comércio de pessoas. Esse ciclo atrai intermediários, como os

gatos (contratadores que aliciam pessoas para serem

exploradas em fazendas e carvoarias), os coiotes

(especializados em transportar pessoas pela fronteira entre o

México e os Estados Unidos da América) e outros animais, que

lucram sobre os que buscam uma vida mais digna. Muitas

vezes, é a iniciativa privada uma das principais geradoras do

tráfico de pessoas e do trabalho escravo, ao forçar o

deslocamento de homens, mulheres e crianças para reduzir

custos e lucrar. Na pecuária brasileira, na produção de cacau de

Gana, nas tecelagens ou fábricas de tijolos do Paquistão.

O tráfico de pessoas e as formas contemporâneas de

Trabalho escrava não são uma doença. E sim uma febre que

indica que o corpo está doente. Por isso, sua erradicação não

virá apenas com a libertação de trabalhadores, equivalente a

um antitérmico – necessário, mas paliativo. O fim do tráfico

passa por uma mudança profunda, que altere o modelo de

desenvolvimento predatório do meio ambiente e dos

trabalhadores. A escravidão contemporânea não é um resquício

de antigas práticas que vão desaparecer com o avanço do

capital, mas um instrumento utilizado pelo capitalismo para se

expandir.

Leonardo Sakamoto. O trafico de seres humanos hoje historia viva Internet (com adptações)

Julgue os itens subsequentes, acerca de ideias e estruturas linguisticas do texto acima.

Infere-se do texto a existência de dois segmentos que lucram com o tráfico de pessoal: as empresas, que reduzem os custos com mão de obra, e os intermediários, que se beneficiam da exploração de pessoas que desejam migrar.