Questão #11888792014

Concursos públicos

A dor, juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência

humana mais bem repartida: nenhum privilegiado

reivindica ignorância em relação a ela ou se vangloria de

conhecê-la melhor que qualquer outro. Violência nascida no

próprio âmago do indivíduo, ela dilacera sua presença e o

esgota, dissolve-o no abismo que nele se abriu, esmaga-o no

sentimento de um imediato sem nenhuma perspectiva. Rompe-se

a evidência da relação do indivíduo consigo e com o

mundo.

A dor quebra a unidade vivida do homem, transparente

para si mesmo enquanto goza de boa saúde, confiante em seus

recursos, esquecido do enraizamento físico de sua existência,

desde que nenhum obstáculo se interponha entre seus projetos

e o mundo. De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível,

flexível; sua espessura é apagada pelas ritualidades sociais e

pela repetição incansável de situações próximas umas das outras.

Aliás, esse ocultar o corpo da atenção do indivíduo leva

René Leriche a definir a saúde como a vida no silêncio dos órgãos”.

Georges Canguilhem acrescenta que ela é um estado de

inconsciência em que o sujeito é de seu corpo”.

(Adaptado de: BRETON, David Le. Antropologia da Dor, São

Paulo, Editora Fap-Unifesp, 2013, p. 25-6)

Os pronomes grifados nos segmentos ... enraizamento físico de sua existência, ... sua espessura é apagada... e ... ela é um estado de inconsciência... (2° parágrafo) referem-se, respectivamente, a: