Questão #11837032014

Português

Leia o texto, para responder às questões de números 07 a 12.

O bonito, o sublime, o gostoso de Brasil X Espanha foi a

angústia. Nós sabemos que o martírio é que dá a um jogo, seja

ele um clássico ou uma pelada, um charme desesperador. Ora, a

batalha com os espanhóis teve todos os matadouros emocionais.

Eis uma partida que pôs em cada coração uma fluorescente coroa

de espinhos. Fomos, até o primeiro gol, 75 milhões de cristos.

Começou a batalha e cada brasileiro estava abraçado, atracado

a seu radiozinho de pilha. Entre nós e a peleja erguiam-

-se os Andes, hieráticos e tristíssimos. Havia, por aqui, um certo

pavor da Espanha – velha pátria, constelada de feridas. O Brasil

entrou mal, o Brasil entrou péssimo. Ou por outra: – o Brasil, no

primeiro tempo, não era o Brasil, era o anti-Brasil, a negação do

Brasil. O sujeito procurava o escrete e não encontrava o escrete.

A Espanha triturava a seleção de ouro, que não era mais de

ouro, era de lata, era de zinco, sei lá. E só um homem, entre

os brasileiros, continuava a ser o mesmo, eternamente o mesmo:

– Garrincha. Sim, do primeiro ao último minuto, o Mané foi

o Mané. Passou como quis pelo Gracía. Caçaram-no a patadas,

como uma ratazana. Mas ele ia passando, dir-se-ia um maravilhoso

ser incorpóreo, os espanhóis o massacravam e Garrincha

sobrevivia ao próprio assassinato.

Fora Garrincha, ninguém mais. Os negros ornamentais, folclóricos,

divinos, deixavam-se bater, miseravelmente. E todos

sentimos que a ausência de Pelé estava cravada no coração do

Brasil. Faltava Pelé e o escrete murchava como um balão japonês

apagado. Amigos, durante os 45 minutos o fracasso do Brasil

doeu mais, aqui, do que a humilhação de Canudos. Cada um de

nós sentiu-se direta e pessoalmente degradado.

(Nelson Rodrigues, O Possesso é nosso.

A pátria em chuteiras: novas crônicas de futebol.)

Assinale a alternativa em que a colocação do pronome destacado,

na frase reescrita, está de acordo com a norma-padrão.