Questão #11512312014

Português — modalidades (concorrência, tomada de preços, convite, concurso, leilão, pregão e consulta)

INSTRUÇÃO: Leia o texto abaixo e responda às questões de 01

a 08.

Esse é o hino

De quatro em quatro anos, por ocasião das Copas do Mundo,

milhões de pessoas pelo planeta afora têm a oportunidade de

entrar em contato com uma das melhores realizações que o

Brasil já foi capaz de pôr em pé o Hino Nacional

Brasileiro, tocado e transmitido globalmente antes do

começo de cada jogo. É sempre um momento de sucesso

garantido junto ao público. O time, no campo, pode ir melhor

ou pior, mas o hino não falha nunca. Seus primeiros acordes

já deixam claro para a plateia presente aos estádios que ela

vai ouvir, nos instantes que se seguem, música de primeira

qualidade no gênero; dali para frente as coisas só melhoram.

Ao se executar a última nota, todos os que prestaram atenção

ao que estavam ouvindo ficam com a impressão de ter recebido

um brinde inesperado antes do jogo: em vez da monotonia

habitual dos hinos nacionais, em geral áridas arrumações de

movimentos marciais que têm como característica mais notável

o fato de parecerem todas iguais umas às outras, o que se

ouve é uma das melodias mais vibrantes, calorosas e

inspiradas que se podem escutar numa cerimônia oficial.

Não há momento sequer de tédio no Hino Nacional; tudo

ali é energia, emoção, vigor. Com quase 200 anos de vida, a

peça composta por Francisco Manuel da Silva em 1822 mantém

intactas até hoje todas as qualidades que fizeram dela uma

das composições mais bem-sucedidas na história da música

brasileira. Escrita originalmente em homenagem à

Independência, e oficializada como Hino Nacional

Brasileiro após a proclamação da República, a obra de

Francisco Manuel tem um longo histórico de aplausos. Louis

Gottschalk, o grande compositor americano do século XIX, que

morreu no Brasil em 1869 e tinha entre seus admiradores

Chopin, Liszt e Berlioz, considerava-a um dos melhores

momentos da criação musical de sua época; em sua homenagem,

escreveu a celebrada Fantasia Triunfal sobre o Hino

Nacional Brasileiro. [...]

Mas e a letra? Já se falou mal o suficiente da letra do Hino

Nacional para que se ganhe alguma coisa insistindo no

assunto. Sua linguagem, provavelmente, já era antiquada na

época em que foi escrita, 101 anos atrás; é confusa, às

vezes absurda, e muito pouca gente consegue decorá-la

direito, mesmo porque muita pouca gente entende o que ela

está dizendo. Mas isso não afeta a melodia nem embaraça o

gênio de Francisco Manuel que, por sinal, já estava morto

quase meio século antes de colocarem palavras em sua música.

Além do mais, a letra do Hino Nacional nunca causou prejuízo

a ninguém e, francamente, talvez nem seja pior que a média

das letras presentes em hinos de outros países, em geral,

obcecados por sangue, morte, canhões, tiranias e outros

horrores. O mais prático, portanto, é deixar tudo como está,

antes que venha a ideia de adotar uma nova letra através de

concurso público. Com certeza, teríamos muita saudade, aí,

do lábaro estrelado e dos raios fúlgidos.

(GUZZO, J.R. Veja, edição 2170 ano 43 nº 25, 23 de junho

de 2010.)

Neste artigo de opinião, o autor recorre à narração, a fim de assegurar a consistência argumentativa, como se pode comprovar no seguinte trecho: