Questão #11501712015

Português

Leia o texto II para responder às questões de 5 a 8.

Nos últimos doze anos, o Brasil venceu desafios que

antes eram vistos como fatalidades com as quais estávamos

condenados a conviver para sempre. Superamos a extrema

pobreza e a fome. Por outro lado, tem sido utilizada a imagem

de que a vida melhorou significativamente da porta de casa

para dentro, enquanto do lado de fora, seja nas ruas ou nos

campos, persiste grande precariedade dos serviços e bens

públicos ofertados, acarretando enormes dificuldades ao dia a

dia da população – principalmente das camadas mais pobres.

Se o governo reeleito declara que o Brasil sem Miséria se

encerra tendo cumprido sua missão, baseado na superação da

extrema pobreza pelo critério da renda, não há dúvida sobre a

necessidade de continuar avançando, abrindo um novo ciclo de

enfrentamento da pobreza e da desigualdade.

Nesse novo ciclo, os esforços devem se voltar

prioritariamente para melhorar a qualidade de vida de grande

parte da população. E isso não se faz com megaprojetos ou

megaeventos, mas com um modelo de desenvolvimento que

priorize a cidadania e o direito ao acesso a serviços públicos de

qualidade e a cidades sustentáveis, com foco especial na

inclusão daqueles que vivem em situação de pobreza.

Não se trata de contrapor universalização e focalização.

Trata-se de realizar ações afirmativas porque a universalização

não se confirma na prática justamente pelas dificuldades de

acesso daqueles que são socialmente mais vulneráveis. Apesar

dos preconceitos que a prioridade sobre a correção de injustiças

pode gerar – vide reações a cotas e ao Bolsa Família –, o

reconhecimento de que os mais pobres são aqueles que,

tradicionalmente, ficam por último faz que se imponha aqui o

preceito da equidade, uma vez que atender igualmente os

desiguais poderia resultar na manutenção de desigualdades,

pondo em xeque o objetivo maior da universalização de direitos.

Mesmo com os avanços na última década, o déficit ainda

é de grande monta, e a população mais pobre continua a sofrer

duramente o alijamento ou o reduzido acesso a serviços

essenciais e, quando deles dispõe, na maior parte das vezes a

qualidade oferecida é extremamente deficiente. Por exemplo,

um trabalhador que more na Baixada Fluminense e trabalhe no

centro do Rio de Janeiro pode ter sua jornada para o trabalho

acrescida de seis horas, pela precariedade dos transportes. A

crise hídrica do estado de São Paulo, por sua vez, está

castigando mais severamente os bairros pobres da capital. E os

homicídios em todo o país vitimam majoritariamente jovens

negros e pobres.

SIMPSON, M.D. e MENEZES, F. Serviços públicos para redução da

pobreza e da desigualdade. In: Le Monde Diplomatique Brasil, Edição

90, janeiro de 2015. Disponível em:

. Acesso em

02/06/2015

Assinale a alternativa correta sobre o texto.

I. O raciocínio do parágrafo inicial do texto torna

perceptível o tom pejorativo do autor no fragmento

E isso não se faz com megaprojetos ou

megaeventos [...] (segundo parágrafo).

II. Para o autor, não é efetiva uma política que busque

universalizar o acesso a serviços públicos de

qualidade, se isso não for acompanhado de uma

atenção especial a grupos em situação de

vulnerabilidade social.

III. As cotas e o Bolsa Família, mencionados pelo autor

no terceiro parágrafo, coincidem com o que ele

chama de focalização, no primeiro período desse

mesmo parágrafo.

É correto o que se afirma em