Português
Leia o texto II para responder às questões de 5 a 8.
Nos últimos doze anos, o Brasil venceu desafios que
antes eram vistos como fatalidades com as quais estávamos
condenados a conviver para sempre. Superamos a extrema
pobreza e a fome. Por outro lado, tem sido utilizada a imagem
de que a vida melhorou significativamente da porta de casa
para dentro, enquanto do lado de fora, seja nas ruas ou nos
campos, persiste grande precariedade dos serviços e bens
públicos ofertados, acarretando enormes dificuldades ao dia a
dia da população – principalmente das camadas mais pobres.
Se o governo reeleito declara que o Brasil sem Miséria se
encerra tendo cumprido sua missão, baseado na superação da
extrema pobreza pelo critério da renda, não há dúvida sobre a
necessidade de continuar avançando, abrindo um novo ciclo de
enfrentamento da pobreza e da desigualdade.
Nesse novo ciclo, os esforços devem se voltar
prioritariamente para melhorar a qualidade de vida de grande
parte da população. E isso não se faz com megaprojetos ou
megaeventos, mas com um modelo de desenvolvimento que
priorize a cidadania e o direito ao acesso a serviços públicos de
qualidade e a cidades sustentáveis, com foco especial na
inclusão daqueles que vivem em situação de pobreza.
Não se trata de contrapor universalização e focalização.
Trata-se de realizar ações afirmativas porque a universalização
não se confirma na prática justamente pelas dificuldades de
acesso daqueles que são socialmente mais vulneráveis. Apesar
dos preconceitos que a prioridade sobre a correção de injustiças
pode gerar – vide reações a cotas e ao Bolsa Família –, o
reconhecimento de que os mais pobres são aqueles que,
tradicionalmente, ficam por último faz que se imponha aqui o
preceito da equidade, uma vez que atender igualmente os
desiguais poderia resultar na manutenção de desigualdades,
pondo em xeque o objetivo maior da universalização de direitos.
Mesmo com os avanços na última década, o déficit ainda
é de grande monta, e a população mais pobre continua a sofrer
duramente o alijamento ou o reduzido acesso a serviços
essenciais e, quando deles dispõe, na maior parte das vezes a
qualidade oferecida é extremamente deficiente. Por exemplo,
um trabalhador que more na Baixada Fluminense e trabalhe no
centro do Rio de Janeiro pode ter sua jornada para o trabalho
acrescida de seis horas, pela precariedade dos transportes. A
crise hídrica do estado de São Paulo, por sua vez, está
castigando mais severamente os bairros pobres da capital. E os
homicídios em todo o país vitimam majoritariamente jovens
negros e pobres.
SIMPSON, M.D. e MENEZES, F. Serviços públicos para redução da
pobreza e da desigualdade. In: Le Monde Diplomatique Brasil, Edição
90, janeiro de 2015. Disponível em:
. Acesso em
02/06/2015
Assinale a alternativa correta sobre o texto.
I. O raciocínio do parágrafo inicial do texto torna
perceptível o tom pejorativo do autor no fragmento
E isso não se faz com megaprojetos ou
megaeventos [...] (segundo parágrafo).
II. Para o autor, não é efetiva uma política que busque
universalizar o acesso a serviços públicos de
qualidade, se isso não for acompanhado de uma
atenção especial a grupos em situação de
vulnerabilidade social.
III. As cotas e o Bolsa Família, mencionados pelo autor
no terceiro parágrafo, coincidem com o que ele
chama de focalização, no primeiro período desse
mesmo parágrafo.
É correto o que se afirma em
Uma questão respondida. E as próximas?
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